Um jovem acusado de homicídio qualificado da namorada negou esta terça-feira, no Tribunal de Arganil, ter empurrado a vítima e disse que fugiu com medo de ser responsabilizado pela morte da rapariga.

No início do julgamento, o arguido, atualmente com 20 anos, respondeu quase sempre com frases curtas às perguntas e disse várias vezes que não se recordava de alguns dos factos que lhe são imputados.

A vítima, Andreia Santos, que tinha "distúrbios psicológicos" e algum "défice cognitivo" - e que era uma das jovens da zona com quem o rapaz mantinha relacionamentos amorosos ou sexuais -, “escorregou e caiu” quando os dois estavam num penhasco junto o rio Alva, no concelho de Tábua, afirmou.

Ela foi aos rebolões e fiquei em pânico”, acrescentou o arguido, alegando que fugiu do local porque “tinha medo” das consequências dos acontecimentos, em 24 de julho de 2014.

O Ministério Público (MP) imputou ao jovem a autoria dos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver, acusando-o de ter empurrado a namorada por um penhasco abaixo, causando-lhe a morte.

Os restos mortais de Andreia Santos, natural do concelho de Arganil, no distrito de Coimbra, onde residia, tal como o namorado, foram encontrados quatro meses após a vítima ter sido dada como desaparecida.

Já o suspeito dos crimes foi preso pela Polícia Judiciária quase um ano depois de o crime ter ocorrido.

O presidente do coletivo de juízes, João Ferreira, salientou que o arguido “eliminou os cartões ‘SIM’ do telemóvel” de Andreia, não se limitando a esconder a sua mochila e o próprio aparelho, para impedir a sua localização.

É preciso ter sangue frio”, sublinhou o magistrado.

“Tínhamos escondido antes a mochila, estávamos a pensar ir depois para Lisboa”, para viver e tentar arranjar emprego, explicou o arguido.

Na abertura da instrução do processo, “disse que o seu pai a empurrou”, questionou o juiz presidente, ao que o jovem respondeu que “estava chateado” com o progenitor, o que o levou na altura a atribuir-lhe a autoria do crime.

A procuradora Ângela Bronze quis saber quando é que o arguido “decidiu dizer que tinha sido o seu pai” a empurrar Andreia, causando-lhe a morte. “Não me lembro”, respondeu.

O jovem disse à magistrada do MP que está “arrependido de não ter ligado para o 112”, para que a vítima fosse socorrida e eventualmente salva, uma vez ter verificado que ela estava viva quando a abandonou no local.

Admitiu ainda que “não gostava” das mensagens que Andreia lhe enviava insistentemente por telemóvel. Só num dia, a falecida remeteu 77 SMS ao namorado, segundo o juiz João Ferreira.

No primeiro dia do julgamento, foram ouvidas várias testemunhas do processo: investigadores da PJ, familiares da vítima e do arguido e uma das namoradas deste, entre outras.