O ministro da Cultura, João Soares, considerou hoje que o cinema é uma área essencial, embora se tenha escusado a concretizar que tipos de apoios poderão vir a ser dados, por estar no Ministério há poucos dias.

"O cinema é qualquer coisa de perfeitamente essencial em tudo que tem a ver com a cultura, mas não posso ir além muito além disso. Quando vocês quiserem vir a Lisboa ao Ministério, terei o maior prazer em dar-vos informação e detalhe sobre o que se tem estado a fazer também nesta matéria"


À entrada para a antestreia do novo filme de António-Pedro Vasconcelos, "Amor Impossível", que decorreu em Viseu, João Soares sublinhou aos jornalistas que o cinema é uma área importante, embora não seja a única.

O titular da pasta da Cultura realçou que a sua chegada ao Ministério da Cultura aconteceu apenas há quatro dias e que este apenas existia enquanto Secretaria da Cultura, "com um peso político e institucional muito reduzido", cita a Lusa.

"Portanto, deixem-me primeiro com tranquilidade, mas com imensa determinação, tomar conta dos dossiers para poder dar resposta concreta. Não sou homem para fazer promessas que depois não possa cumprir",referiu.

O realizador português António-Pedro Vasconcelos defendeu, por sua vez, que o Estado deve apoiar a sétima arte, porque o mercado nacional é muito pequeno e sofre de grande concorrência por parte do cinema americano.

"O Estado não pode deixar de intervir no cinema, porque nós temos um mercado muito pequeno, muito escasso. Temos uma concorrência muito grande dos filmes americanos e, portanto, o Estado tem obviamente de apoiar"


António-Pedro Vasconcelos sublinhou que as suas grandes discordâncias com o Governo "são em relação à forma de apoiar".

Sobre o novo ministro da Cultura, João Soares, referiu que tem com ele uma relação muito antiga. "Acho que é uma pessoa muito pragmática, é um homem de cultura e, portanto, espero que ele com diplomacia, mas também com firmeza, introduza algumas modificações para as políticas do cinema", acrescentou.

Sem querer alongar-se sobre esta matéria, o realizador disse ainda aos jornalistas que espera que essas modificações "permitam que haja mais filmes e, sobretudo, que haja outra relação com o público".

"O cinema português tem uma quota de mercado muito pequena? Com algumas exceções, há um filme ou outro que faz muito sucesso, mas normalmente há um divórcio entre o cinema português e o público: acho que é isso que é preciso reatar"


João Soares marcou presença na estreia pela "profundíssima admiração" que tem pelo António-Pedro Vasconcelos e pela sua "obra absolutamente notável".

"O último filme dele, como praticamente todos os outros, deslumbrou-me. E depois é também um sinal da importância que nós damos ao trabalho cultural, que darei enquanto ministro da Cultura ao trabalho cultural em cidades como Viseu", sustentou.

O representante do Governo referiu também que a cidade de Viseu é "uma cidade absolutamente modelar e exemplar" e que pretende que a cooperação entre o Ministério da Cultura e a Câmara de Viseu se prolongue no futuro, "de uma forma ainda mais sistemática".

"Tenho uma grande satisfação por ver que um filme desta importância foi rodado praticamente integralmente em Viseu", concluiu.

Com produção de Tino Navarro e apoio financeiro do Instituto do Cinema e do Audiovisual, a décima longa-metragem de António-Pedro Vasconcelos conta no elenco com Victória Guerra, José Mata, Ricardo Pereira e Soraia Chaves. O argumento é de Tiago Santos, colaborador de António-Pedro Vasconcelos nos filmes mais recentes.

"Amor Impossível" decorre praticamente ao longo de toda a trama em Viseu.