A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) considerou esta terça-feira que os cerca de 400 novos ingressos na GNR «não vão suprir as necessidades existentes» e que as entradas são inferiores aos militares que vão passar à reserva.

«O número de elementos será inferior ao número de passagens à reserva. Nos últimos anos tem-se assistido à redução acelerada de efetivos, por via de ingressos em número inferior ao das passagens à reserva, tendo existido mesmo anos em que não entrou qualquer elemento para a Instituição», refere a APG, em comunicado.

A associação mais representativa da GNR considera que há uma «gravíssima falta de efetivo com funções operacionais», sublinhando que esta situação não vai ser resolvida com «a entrada de apenas 400 elementos que, divididos pelas unidades de forma equitativa, resulta num reforço de menos de duas dezenas de profissionais por cada uma».

O comunicado da APG surge após o secretário de Estado Adjunto do ministro da Administração Interna, Fernando Alexandre, ter afirmado que a entrada de novos militares para GNR, nos próximos anos, «vai estabilizar» o efetivo daquela força policial.

«Com a programação que nós temos, garantir-se-á a estabilização do número de efetivos à volta dos 22.000, nos próximos cinco anos», disse o secretário de Estado, recordando que em 2015 vão entrar em funções mais 400 efetivos na GNR.

A APG sublinha que a entrada de 400 novos elementos «não estabiliza o efetivo, nem resolve os problemas existentes numa Instituição com uma pesadíssima máquina administrativa e de apoio, em que uma boa percentagem do efetivo está adstrito a funções não operacionais e que não se relacionam com o exercício da segurança pública».

Segundo esta associação socioprofissional, há «locais de serviço a trabalhar no limite dos seus recursos, com elementos a praticar o dobro das horas de qualquer cidadão português, sujeitos ao perigo e ao desgaste».

A APG recorda ainda que a área de ação da GNR corresponde a cerca de 90 por cento do território nacional e que a falta de efetivo «tem consequências gravíssimas, não só na segurança prestada às populações, como nos horários impostos aos profissionais».