As pessoas que se considerem vítimas de assédio persistente devem evitar confrontar o agressor, terminar qualquer contacto com essa pessoa e pedir ajuda, aconselha a APAV quando arranca mais uma campanha de sensibilização para o fenómeno.

O dia de hoje, à semelhança do que aconteceu em anos anteriores, é o escolhido pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) para fazer uma campanha de sensibilização para o fenómeno de 'stalking’/assédio persistente, este ano com a mensagem: «Começa com uma mensagem e acaba por tomar conta da sua vida».

Em declarações à agência Lusa, Manuela Santos, da APAV, explicou o que deve fazer uma vítima de ‘stalking’, sublinhando que é importante que quem é alvo deste tipo de comportamento tenha algumas estratégias.

«Evitar qualquer tipo de tentativa de negociação ou confrontação verbal ou física, cessar qualquer tipo de contactos, partilhar a experiência junto das pessoas mais próximas, como família ou vizinhos, e é importante avisar as autoridades», adiantou.


Por outro lado, a responsável alertou para a importância das vítimas não destruírem tudo o que mais tarde possa ser considerado elemento de prova.

Para Manuela Santos, é importante que a vítima mantenha todos os registos dos contactos de que é alvo, seja mensagens por correio eletrónico ou por telemóvel, ou até mesmo presentes, «uma estratégia comum de tentativa de aproximação».

E o que é o ‘stalking’? : «É uma forma de violência que se caracteriza por um conjunto de comportamentos de assédio que persistentemente é praticado por uma pessoa contra outra», explica àLusa.

Segundo a responsável, este comportamento tem como objetivo estabelecer algum tipo de relação ou até mesmo servir como tentativa de reconciliação.

«Quando, de forma persistente, uma pessoa envia para outra mensagens, liga persistentemente, envia e-mails, procura contactar ou aproximar-se de diferentes formas», isso é ‘stalking’, ainda que a pessoa o faça de forma aparentemente simpática, explicou Manuela Santos.

E é para alertar para este tipo de comportamentos que a APAV arranca hoje com uma nova campanha, cujo objetivo é «sensibilizar a população para um maior reconhecimento» do fenómeno, já que muitas vezes é confundido como comportamentos «naturais de lisonja no contexto dos relacionamentos».

É igualmente objetivo explicar que, normalmente, este tipo de comportamento tem uma «elevada probabilidade» de se agravarem.

«Tornando-se comportamentos que deixam de ter essa natureza lisonjeira para se tornarem comportamentos de ameaça, mais ou menos subtil, de coação, de insulto, de difamação e até de agressão ou violência física», alertou a responsável.


Manuela Santos disse ainda que qualquer pessoa que se considere vítima pode contactar os serviços da APAV, já que a associação tem uma rede nacional de gabinetes e uma linha de apoio à vítima.

Em 2014, a APAV recebeu 341 queixas por ‘stalking’/assédio persistente.