O antigo primeiro-ministro socialista António Guterres excluiu esta terça-feira a possibilidade de regressar à vida política ativa nacional, afirmando que vai descansar e refletir sobre como aproveitar a sua experiência "para fazer alguma coisa de útil".

"Não vou voltar à vida política ativa nacional", afirmou António Guterres, que no final de dezembro terminou o mandato como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, cargo que ocupou durante dez anos.


Guterres falava em Lisboa, à margem da sessão de abertura do Seminário Diplomático, durante a qual refletiu sobre o "Deslocamento forçado como sintoma da situação internacional", naquela que foi a sua primeira intervenção pública após o regresso "à vida normal", como mencionou.

Questionado pelos jornalistas sobre o seu futuro, o antigo primeiro-ministro socialista disse que pretende "descansar algum tempo" e que vai aproveitar para "refletir".


"Vou, naturalmente, calmamente, refletir sobre a melhor maneira de aproveitar as experiências que tenho e as capacidades que tenho para fazer alguma coisa de útil"


Guterres não respondeu à pergunta se pondera uma candidatura a secretário-geral da Organização das Nações Unidas.

Instado, na ocasião, a comentar se António Guterres faz falta a Portugal, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, considerou que o antigo alto comissário da ONU "não faz falta a Portugal porque ele está em Portugal e, certamente, contribuirá ativamente para a causa pública portuguesa".

"A minha expectativa é que contribua mesmo ao mais alto nível", disse o chefe da diplomacia portuguesa, mas sem especificar em que funções.


Santos Silva referiu apenas esperar que "a contribuição do engenheiro António Guterres para Portugal possa ser, ao mesmo tempo, uma contribuição para as grandes causas em que Portugal está envolvido", mas a decisão se é "lá fora ou cá dentro", cabe ao próprio.

Questionado sobre se mantém o apoio a António Sampaio da Nóvoa nas eleições presidenciais de 24 de janeiro, Santos Silva apenas declarou que não costuma mudar de opinião.


"As minhas opiniões e decisões são públicas e eu não sou conhecido por mudar de opinião", referiu aos jornalistas.

 

PS manifesta "orgulho" pelo trabalho humanitário de Guterres


O PS manifestou "profundo orgulho" pela forma como o antigo primeiro-ministro António Guterres desempenhou o cargo de alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), considerando que aumentou de forma "assinalável" o prestígio de Portugal.

Em comunicado, o PS "entende ser da mais elementar justiça tornar público o seu profundo agradecimento" pelo trabalho desenvolvido pelo antigo líder do executivo português (1995/2001) "em prol dos refugiados e da defesa dos Direitos Humanos".


"António Guterres tem um percurso político ímpar e tem sido ao longo da vida um exemplo de dedicação à causa pública, ao serviço das pessoas e da dignidade humana. Foi assim que desempenhou as funções de secretário-geral do PS e de primeiro-ministro, entre outras", refere a nota emitida pela direção dos socialistas.


Para o PS, durante o período em que exerceu as funções de ACNUR, António Guterres "enfrentou algumas das piores crises humanitárias da História recente e conseguiu, através das suas inegáveis qualidades políticas e humanas, mobilizar recursos à escala global para dar resposta a situações verdadeiramente dramáticas".

"António Guterres deixa no fim deste seu mandato um importante legado na defesa dos refugiados e dos Direitos Humanos, com um nível de recursos e de protagonismo que até então o alto comissariado para os Refugiados não possuía. Nunca, como até este momento, foi tão determinante a ação política das Nações Unidas na defesa dos refugiados e dos Direitos Humanos, o que é globalmente reconhecido", reforça ainda o PS.


Nesse sentido, o PS exprime "não apenas o seu agradecimento público, mas também o seu profundo orgulho no trabalho realizado por António Guterres nas Nações Unidas, que contribuiu de forma assinalável para o prestígio da imagem internacional do nosso país".

O PS formula depois a António Guterres "votos dos maiores sucessos pessoais e profissionais para o futuro".

"Certo que Portugal poderá sempre contar com todo o seu prestígio e as suas qualidades profissionais e humanas", acrescenta-se na mesma nota.