Os portugueses andam tristes. Os dados de um estudo europeu revelam que mais de 15% dos portugueses tomou antidepressivos no ano passado. A investigação reúne os dados recolhidos em 28 países. Portugal ocupa a oitava posição na toma regular de antidepressivos, com 70% dos inquiridos a afirmarem que ingerem regularmente este tipo de medicamentos.
 
Portugal, país do fado. Triste fado aquele que é cantado por várias gerações. Na voz de Amália ou na voz contemporânea de António Zambujo. Mas será só por isto? Pedro Varandas, membro da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, em entrevista no Diário da Manhã da TVI esta segunda-feira, fez referência à melancolia característica do povo português, e opinou que é preciso aprofundar as conclusões deste estudo. No entanto, a fazer fé neste trabalho, “estas taxas são demasiado elevadas. Estas taxas são o dobro daquilo que se verifica em alguns países com semelhança cultural connosco, como são Espanha e Itália”.

Não descartando a hipótese dos métodos utilizados para diagnosticar a doença não se adaptarem ao povo português, Pedro Varandas deixou uma reflexão importante: “A população portuguesa tem uma taxa elevadíssima desta forma de sofrimento psicológico. Se a nossa taxa de prevalência de sofrimento afetivo, depressivo e ansioso for esta, temos um sério problema de saúde pública em Portugal”.

Facto é que “a toma regular de antidepressivos ao nível que o estudo aponta mostra que a situação não é nova”, o que “mostra que a população portuguesa pode estar a sofrer de depressão e ansiedade”.

No rescaldo do Dia Europeu da Depressão, começa esta segunda-feira, na Universidade de Lisboa, um simpósio dedicado ao tema. Este encontro vai precisamente, segundo o membro da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, “tentar interpretar um pouco os resultados deste estudo e, interpretando os resultados deste estudo, promover ou dar orientações que possam servir para que outros com a capacidade de poder modificar as coisas no nosso país o possam fazer”.

O médico antecipou que, a confirmarem-se os dados deste estudo através de uma análise mais profunda à sociedade portuguesa, “temos que reformular toda a forma de atendimento dos cuidados de saúde primários, munindo os centros de saúde de mais recursos, sobretudo humanos, [através de] psicólogos. (…) Existem já psicólogos em alguns centros de saúde, mas não são suficientes para essa ajuda ser feita. De qualquer maneira, o problema – se assim for -, não se resolve só com a presença de psicólogos nos centros de saúde”. Exige mudanças na forma das “pessoas serem atendidas, como são diagnosticadas e como são tratadas”.