Tal como prometido, aqui vão as primeiras imagens captadas por uma televisão portuguesa no círculo polar antárctico.

Quando se abre a porta do avião, temos a noção , que imagino exacta, de chegar a um outro planeta. 

A luz é tão forte que nos cega. As montanhas pretas rompem do branco absoluto. A pista onde aterrámos é de gelo azul. O ar é frio e puro. 

É a derradeira aventura.

Tentarei na reportagem de domingo transmitir um pouco dessa emoção, de ser o primeiro português a pisar este solo aqui no Union Glacier.

Perante o que vejo pergunto-me. Como é que se pode correr aqui 42? Não sei, mas não é isento de perigos. Todos os cuidados são poucos. Como vai ser viver aqui por uns dias? Como será dormir aqui, no meio deste silêncio absoluto?

Uma das sensações mais especiais que tive até ao momento foi.me trazida pelo silêncio. Aqui não há som. Ficar imóvel, quando não há vento, significa duvidar dos sentidos. Nada se escuta, nada produz qualquer tipo de barulho. Nesta região interior da Antártida não há vida animal. Aqui apenas sobrevivem uns quantos líquenes, agarrados a umas poucas de rochas e que os responsáveis do acampamento pedem aos alpinistas para os identificarem se os encontrarem.

A Antártida profunda não tem vida. No entanto, é de uma beleza esmagadora e que torna tudo ainda mais único, especial, irrepetível.

 
 
“Repórter TVI” - 80 graus sul, para lá do fim do mundo

O jornalista Paulo Salvador e dois maratonistas portugueses foram os primeiros portugueses a pisar a Antártida. Não perca esta reportagem, no domingo, dia 13 de dezembro, no Jornal das 8. Veja aqui o diário desta aventura única http://goo.gl/KG42hi

Publicado por TVI24 em Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2015


Depois destas imagens toca de tirar fotos para mais tarde recordar porque este creio que é dos poucos locais na terra onde a probabilidade de voltarmos é inferior à de nos sair o euromilhões.
 

Uma recordação para mais tarde recordar já que a probabilidade de aqui voltar deve ser inferior à de ganhar o Euromilhões.


Os dois pioneiros lusitanos na história da Maratona do Gelo.


A viagem da pista até ao acampamento de Union Glacier  é de cortar a respiração. Vales brancos a perder de vista e o negro das rochas. 

Lá chegados fizeram-nos uma visita guiada e mostraram-nos as nossas “instalações”. Uma tendas para duas pessoas no meio do glaciar.


A tenda que prova que a TVI vai literalmente ao fim do mundo para conseguir uma reportagem.




O frio aqui leva-nos para uma outra escala. As roupas técnicas são fundamentais. Nem o nariz pode ficar de fora quando o vento sopra. Só nos conhecemos pela voz e pela cor do óculos. Parecemos o Darth Vader de férias em Aspen.


A linha de meta está pronta, será que vamos ter um medalhado português?


A meta já está montada à espera dos maratonistas. Alguns deles são quase superatletas que já correram todas as provas mais perigosas do mundo, menos esta. Há também simples curiosos com pouca preparação que eu não entendo como é que se metem nesta aventura. Aqui quando algo corre mal é muito perigoso porque o avião regressa ao Chile e só volta se o tempo estiver bom o que é raro. Numa das edições anteriores toda a comitiva esteve aqui retida 21 dias! Espero que não nos aconteça nada disso. Por mais bonito que seja, três semanas a viver com estas temperaturas e ventos inesperados pode ser difícil.

Os jipes que passam aqui o inverno,  no final do verão são postos em estacas altas para depois serem encontrados, já ao nível do solo.


O mais inesperado do dia. Um sinal de Stop no meio do mais desabitado continente do planeta. Um alerta para a proximidade de uma pista de aterragem.


Mas tudo o que vier a acontecer irei mostrar já amanhã, domingo, na reportagem a que dei o título “80 º Sul: para lá do fim do mundo.

Este domingo, no "Jornal das 8" e repetição no "Jornal da Uma" de segunda-feira.


O maior deserto gelado do mundo é lindo e inóspito.