A Associação Nacional de Sargentos da Guarda (ANSG) manifestou hoje preocupação e apreensão com a demissão do ministro da Administração Interna, tendo em conta “o período de convulsões que o país e a segurança atravessam”.

«A ANSG espera que o ministro escolhido possa sarar as feridas provocadas pelos ataques à autoridade das polícias e à dignidade das mulheres e dos homens que servem na Guarda Nacional Republicana, sem olhar aos estigmas do politicamente correto», refere a associação que representa os sargentos da GNR, em comunicado.

Segundo a ANSG, o próximo ministro da Administração Interna tem que ter «disponibilidade e vontade» para resolver os problemas da GNR, além de ouvir e discutir com as associações profissionais os diplomas legais em curso, designadamente a alteração à lei orgânica da GNR e ao estatuto dos militares da Guarda.

Miguel Macedo anunciou domingo a sua demissão do cargo de ministro da Administração Interna, garantindo não ter qualquer intervenção no processo dos vistos 'gold', mas reconhecendo que a investigação em curso o deixou com «autoridade diminuída».

Várias pessoas próximas de Miguel Macedo, como o presidente do Instituto de Registos e Notariado, António Figueiredo, e o diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Manuel Palos, estão a ser investigados no âmbito da Operação Labirinto, que visa alegados casos de corrupção na atribuição de vistos 'gold'.

Numa declaração lida, no domingo, Miguel Macedo disse não ter «qualquer responsabilidade pessoal» no caso de atribuição alegadamente fraudulenta de vistos dourados, que está a ser investigado no âmbito da Operação Labirinto, mas reconheceu que não tinha condições políticas para se manter no cargo.