Como era esperado, o movimento «Million Mask March» foi global: 481 localidades e cidades de todo o mundo, segundo o site oficial do evento. Milhares de pessoas saíram à rua para se manifestar pacificamente contra a corrupção, as guerras, a pobreza, os abusos dos governos, das grandes corporações, dos media, entre tantas outras motivações. Cada um com a sua razão, todos com uma ideologia comum: a ideologia «Anonymous».

O que é preciso para ser Anonymous?

De Londres a Sydney, de Madrid a Washington, de São Paulo a Hong Kong, passando por Lisboa, Porto e Faro, centenas de cidades viram os «Anonymous» sair à rua, tornando o evento a maior manifestação pacífica do globo.

Em Lisboa, cerca de 100 pessoas caminharam desde o Marquês de Pombal até ao Rossio, um número que ficou bastante abaixo dos cerca de 1100 que confirmaram a sua presença no Facebook do evento. A manifestação decorreu pacificamente, sem incidentes, nem necessidade de intervenção policial.



Com mais ou com menos presenças que noutras partes do mundo, os motivos dos manifestantes «Anonymous» portugueses são os mesmos dos de outros países: querem um mundo melhor, com menos corruptos, e mostrar que são mais que um grupo que realiza ataques informáticos.

«Não somos apenas um grupo que faz ataques informáticos e que quer derrubar Governos. Também nos encontramos para discutir ideias e sensibilizar as pessoas para muitas questões, como a corrupção», disse um dos participantes, que não quis ser identificado, à agência Lusa.

O mesmo elemento explicou, também à agência de notícias, que a «Anonymous» de Portugal quer «dar a conhecer ideias» e fez referência a várias ações de «sensibilização e até eventos para reunir roupa e alimentos para os necessitados», promovidos pelo movimento.

Outro dos participantes da iniciativa, João Silva, contou ao tvi24.pt, a partir do local, que o evento deste ano, apesar de não registar o número de participantes esperados, correu melhor que no ano passado, e, sublinhou, decorreu sem quaisquer incidentes.

«Está a correr melhor que no ano passado. É uma vitória porque houve um aumento no número de pessoas que aderiram», contou.

João Silva apontava um número de 70 a 100 pessoas no final da manifestação, um número afastado dos 1100, mas que se traduziu numa melhoria em relação ao ano passado, uma vez que quem aderiu desta vez acredita realmente nos ideais, e não estiveram ali apenas por ser «fashion» nem uma «moda».

«Confirmou-se o que eu disse ontem, hoje os que estão aqui não vieram por ser uma moda, nem por ser "fashion" como no ano passado».

Segundo a agência Lusa, a polícia terá obrigado o grupo a desmobilizar quando este passou junto da embaixada da Dinamarca a caminho do Rossio. No entanto, não houve qualquer necessidade de intervenção policial, como contou João Silva, ainda que por prevenção, houvesse agentes que acompanharam o desfile lado a lado com os «Anonymous» portugueses.

«Há três polícias de intervenção atrás de nós, já passaram também alguns carros, mas a ideia é mesmo levar isto pacificamente. É mesmo esse o objetivo. Não ganhamos nada com o contrário. (...) Não houve quaisquer incidentes», continuou.


Uma marcha global contada nas redes sociais

As redes sociais Twitter e Facebook foram a principal ferramenta para divulgar as diversas manifestações em todo o mundo. Em direto, e pela mão de quem esteve nas ruas, espalharam-se pela web as fotografias e vídeos do que foi acontecendo ao longo deste 5 de novembro.


Tirando alguns incidentes isolados em Londres e Washington DC, o objetivo parece ter sido cumprido. Os relatos dos participantes nas redes sociais mostram que as manifestações foram sobretudo pacíficas.


Novos Ataques informáticos

Em Portugal a atividade dos «Anonymous» começou antes das manifestações. Ao inicio da tarde, uma publicação nas páginas de Facebook «Anonymous Portugal», «OutsideThe Law», e outras, davam conta de pelos menos dois ataques informáticos e divulgação de nomes, números de telefone, e-mails e passwords de várias entidades públicas, como forças policiais e câmaras municipais.

Os sites alvo foram o do Conselho Superior da Magistratura e o CES (Centro de Estudos Sociais de Coimbra), que ficaram inativos. O primeiro já se encontra a funcionar e o segundo podia ser acedido utilizando outro endereço. No que toca ao CES, foram divulgados vários dados de investigadores: nomes, telefones e passwords.

Outros dados já divulgados anteriormente voltaram hoje a ser publicados na página. Contactos, nomes e passwords de entidades como a PSP, GNR, PSD, Águas de Portugal, INPI e o Ministério da Agricultura, podiam ser vistos em links externos por qualquer utilizador.
 

«Anonymous» detidos no Porto

O website «Tugaleaks», especializado em divulgar informações que muitas vezes não chega à comunicação social oficial, publicava, esta quarta-feira, que dois jovens com menos de 21 anos foram identificados no Porto apenas por estarem a usar uma máscara de Guy Fawkes.

Segundo a mesma fonte, os dois jovens foram abordados por dois agentes da PSP ontem à tarde na Praça Carlos Alberto por estarem a usar as máscaras, e foram levados para uma esquadra desta polícia.

Um dos envolvidos contou, na página de Facebook do evento da «Million Mask March» do Porto, que agentes da PSP abordaram os jovens e obrigaram-nos a retirar as máscaras e a identificarem-se. Terão sido abordados por sete agentes da PSP que os levaram para a esquadra do Bonfim para proceder à sua identificação.

«Fomos tratados como criminosos mesmo cooperando a 100% com a “exigências” dos agentes. Além de sermos rudemente abordados por 7 agentes da PSP! Fomos novamente obrigados a ir na carrinha para a esquadra para sermos identificados. No final pedimos para sermos transportados de volta ao local que estávamos já que foi provado que éramos inocentes. Disseram-nos rudemente: "Saiam da esquadra e virem à esquerda, o metro fica lá a frente"», escreveu.
 
Na mesma publicação o jovem informa que a PSP não tinha conhecimento da manifestação de hoje e que os dois jovens poderiam vir a ser detidos por «desobediência qualificada» se fossem apanhados no evento.
 
«Tenho sentimentos de ódio, frustração, revolta, etc neste momento», lia-se na mesma publicação.
 
A intervenção policial terá acontecido após uma denúncia de um lojista preocupado, que temia um possível assalto. Como terão dito os próprios agentes da PSP, não é a primeira vez que assaltantes utilizam máscaras para assaltar estabelecimentos da zona. Acrescentado que as máscaras de Guy Fawkes têm sido associadas a crimes.

Contactada pelo tvi24.pt, a PSP do Porto não pôde de momento confirmar o sucedido.