A Escola Secundária de Anadia está hoje sem aulas, devido ao protesto conjunto de pais e alunos, contra o estado de degradação das instalações e o abandono das obras da escola nova pela empresa Parque Escolar.

Logo de manhã, pais e alunos mantiveram-se no exterior da escola em protesto, que inicialmente apareceu encerrada, com os portões fechados com correntes e cadeados, que foram removidos na presença da GNR.

«A degradação da escola tem vindo a avançar nos últimos anos em ritmo acelerado e o conselho geral e a própria associação de pais têm pedido esclarecimentos ao Ministério da Educação sobre o que pode ser feito para resolver o problema, visto que já há uma escola nova que estava a ser construída, sem nenhuma resposta objetiva», explicou à Lusa Luís Pidwell, da Associação de Estudantes.

Luís Pidwell demarcou-se da ação de colocar cadeados e correntes nos portões, que atribuiu ao «entusiasmo» de alguns alunos.

«Trancar a escola não estava nos nossos planos, mas que se deve ao entusiasmo de alguns alunos que escapa ao nosso controlo. O objetivo foi paralisar a escola como está a acontecer porque os portões neste momento estão abertos e os alunos não entram e permanecem no exterior», disse.

Várias são as deficiências apontadas, quer por alunos, quer pelos pais: quando chove, a água escorre pelos tetos e paredes e tem de ser aparada com baldes. As persianas não trabalham, havendo salas com pouca luz ou sol a dar nos olhos e as janelas de madeira já não abrem ou não fecham, o que deixa passar o frio e as correntes de ar.

Deficiências elétricas - já houve um foco de incêndio no quadro -, fissuras nas paredes dos edifícios e abatimentos do terreno, são problemas de segurança que o conselho geral levantou e que levaram, há dois meses, a uma visita de inspeção de técnicos do Ministério, cujos resultados não foram comunicados à escola.

A degradação é antiga, levando o Ministério da Educação a decidir construir uma nova escola, em terreno cedido pela Câmara e as obras começaram, mas os trabalhos foram suspensos pela empresa Parque Escolar.

A justificação de Nuno Crato para as obras não serem retomadas foi relacionada com processos de falência dos empreiteiros. O argumento não convence os pais de Anadia, porque, dizem, o empreiteiro continuou a fazer empreitadas para o Ministério.

«Quando a obra foi suspensa, o empreiteiro tinha também em obra uma escola na Gafanha da Nazaré, que estava a ser remodelada e deu prioridade porque era uma escola que tinha alunos, enquanto aqui se tratava de uma escola nova. Percebemos a prioridade, mas estávamos convencidos que passado um ano a obra da nova escola aqui arrancava, o que não aconteceu», explicaram.

A degradação da escola de ensino público favorece a concorrência dos colégios da região, que dispõem de instalações bem melhores, segundo alguns pais indignados, para quem «a Secundária de Anadia merece o novo edifício, até porque tem vindo a subir no ranking, apesar da falta de condições e esse esforço deve ser reconhecido».

Patrícia Flores, da Associação de Pais, diz que o objetivo do protesto é chamar a atenção para a situação que se vive diariamente na escola e comenta que, se há problemas com o empreiteiro, «têm de ser resolvidos e ninguém ainda deu essa explicação aos pais».

A representante dos pais diz que nenhuma informação lhes é dada sobre a construção da nova escola e que a velha «chegou a um ponto em que não é possível continuar como está, apesar de intervenções» pontuais.

«Está uma parte da nova escola feita. Precisamos é que a obra seja concluída», finalizou.