A Ordem dos Enfermeiros denunciou esta sexta-feira que o Hospital de Gaia está a despedir 11 enfermeiros contratados há um mês, exigindo ao ministro da Saúde que “sejam tomadas medidas que respeitem a dignidade e segurança de todos”.

Em comunicado, a bastonária, Ana Rita Cavaco, afirma que “o que se está a passar é inqualificável a todos os níveis”, acrescentando que estes 11 enfermeiros foram contratados “há menos de um mês para assegurar o Plano de Contingência da Gripe”.

Contactada pela Lusa, a administração do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, situado no distrito do Porto, refere que a unidade de saúde contratou “24 enfermeiros através de concurso excecional a termo incerto, apenas para o período de contingência de inverno e simplificado, dada a urgência”.

Contudo, o número de doentes com necessidade de internamento durante este período foi inferior ao previsto, tendo sido reajustado o número de camas”, que passou de 38 para 20, e, “tendo em conta a autorização da tutela”, foi decidido “reduzir o número de enfermeiros contratados para este efeito para 13, a partir do dia 12” deste mês.

De acordo com a Ordem, “devido à falta de enfermeiros neste hospital e outras limitações, há uma orientação superior para encaminhar, em caso de necessidade, doentes para uma unidade privada, com os custos a serem suportados pelo Estado, o mesmo Estado que não autorizou a contratação de enfermeiros e mandou encerrar um serviço por questões orçamentais”.

A administração do hospital afirma que, “no mesmo sentido, estão a ser contratualizadas externamente cinco camas para doentes apenas a necessitar de apoio social, enquanto o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho assegura a transição dos mesmos para a rede de apoio tutelada pela Segurança Social”.

A Ordem refere que, de acordo com várias exposições que recebeu esta semana, “os enfermeiros, alguns dos quais vieram mesmo do estrangeiro em auxílio do Serviço Nacional de Saúde, foram esta semana avisados que só trabalham até 07 de fevereiro, quando deveriam permanecer, pelo menos, até abril”.

Com os 11 enfermeiros em causa, afirma ainda a Ordem, “foram celebrados contratos com uma carga semanal de 40 horas de trabalho” e os profissionais “já estavam incluídos nos horários de fevereiro”, tendo-lhes sido entretanto “comunicado pelo Conselho de Administração que não havia, afinal, autorização para os referidos contratos”.