Por: Redacção / IPL | 1- 11- 2011 11: 24
O número de pessoas sem-abrigo que pedem ajuda ao centro Porta Amiga da AMI em Almada aumentou cerca de 30 por cento em
relação a 2010, número «significativo» e que «tende a agravar-se», conta a directora do cento, noticia a Lusa.
«Este
aumento vai ao encontro da tendência registada em todos os centros da AMI espalhados pelo país», indica Maria da Luz Cachapa
considerando um aumento «preocupante».
Entre 2009 e 2010 o centro registou uma subida de 900 para 1268 pedidos
de ajuda, mais de 150 feitos por pessoas com mais de 60 anos. Até Setembro de 2011 foram atendidas 1322 pessoas.
«O
número de sem-abrigo é muito significativo. Embora seja semelhante ao do ano passado, pouco abaixo dos 140, tende a aumentar
dadas as cada vez mais frequentes situações de desemprego de longa duração», afirmou a responsável pela Porta Amiga.
O
desemprego e as carências alimentares estão no topo das preocupações de Maria da Luz Cachapa.
«O que acontece neste
momento é que a chave para resolver os problemas da maioria das pessoas que nos procuram, o emprego, está cada vez mais difícil
de encontrar», frisou.
«A classe média está fragilizada. Não estava habituada a poupar, tinha créditos. As pessoas
chegam aqui endividadas, o que quer dizer que, a médio prazo, correm risco de desalojamento», explicou.
Outro problema
é o da ajuda alimentar. O Programa Comunitário de Ajuda a Carenciados (PCAAC), que fornece ao centro a maior parte dos alimentos
distribuídos às famílias, está em risco devido a uma minoria de sete Estados membros que entendem que o serviço deve ser competência
de cada país.
Se a posição da Áustria, Dinamarca, Holanda, Suécia, Reino Unido, Alemanha e República Checa não se
alterar, a partir de Janeiro o orçamento do PCAAC será reduzido em dois terços, de 500 milhões para 113 milhões de euros.
«Se
houver um corte no PCAAC teremos muito menos géneros para distribuir e os agregados familiares vão ficar muito prejudicados»,
estimou Maria da Luz.
A AMI trabalha no Monte da Caparica, em Almada, desde 1996 e presta assistência básica (refeições,
roupeiro, géneros alimentares e balneário) e técnica (apoio social, psicológico, médico, de enfermagem e jurídico) aos moradores
dos bairros integrados no Plano Integrado de Almada.
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