O trânsito na ponte 25 de Abril esteve cortado esta noite nos dois sentidos devido a um pacote suspeito que terá sido deixado por uma viatura, no sentido Lisboa-Almada.

O alerta foi dado às 18.50 e o trânsito foi reaberto perto das 21:00.

Segundo fonte policial disse à Lusa, o pacote que deu origem à “suspeita de bomba” estava localizado na torre 4 da ponte 25 de Abril.

“A PSP vai investigar, para perceber como aquele embrulho foi lá colocado e com que propósito”, disse fonte da PSP, salientando que o embrulho foi colocado numa zona onde as pessoas não podem circular a pé.

Segundo a mesma fonte, o embrulho, que levantou a suspeita, tinha cerca de 50 centímetros de diâmetro e estava envolto em plástico e fita isoladora. Lá dentro estava roupa.

Questionado pela Lusa sobre como a PSP detetou o embrulho, a fonte explicou que a polícia terá sido alertada por uma testemunha ocular, que viu o embrulho e avisou as autoridades.
 

A interrupção do trânsito devido a suspeitas de bomba na ponte 25 de Abril, em Lisboa, já tinha acontecido por motivos idênticos há 15 anos, e na altura, como hoje, foi falso alarme.

Até hoje foram três os falsos alarmes. A 7 de julho de 2000, a circulação rodoviária na ponte foi interrompido entre as 23:00 e as 03:00 do dia seguinte, devido a telefonemas anónimos que davam conta de terem sido colocadas cargas explosivas nos pilares da ponte.

Alguns meses antes, em maio desse ano, outra ameaça de bomba já tinha levado à interrupção, por uma hora, da circulação ferroviária na ponte (entre as 05:30 e as 06:30). Uma investigação da brigada de minas e armadilhas da PSP concluiu que era falso e o trânsito no tabuleiro (pouco intenso a essa hora) nem chegou a ser interrompido.

Como foi falsa a ameaça de julho, ainda que levada a sério. A 8 de julho desse ano era ministro da Administração Interna Fernando Gomes. E dizia o seu gabinete à Lusa: a ameaça de bomba “está a ser levada a sério pelo ministro da Administração Interna. As polícias estão a investigar. Todas as forças de segurança dependentes do MAI encontram-se empenhadas na investigação”.

O telefonema de ameaça (para a Lusa e para o serviço de emergência 112) indicava que nessa noite, uma sexta-feira, iriam explodir sete detonadores na ponte. E o autor identificava-se como pertencente a um até então desconhecido “Grupo Independentista de Angola”.

Trânsito cortado, tabuleiro rodoviário e ferroviários passados a pente fino, com ajuda de cães. Foram enviadas três ambulâncias para a entrada da ponte, quatro viaturas de desencarceramento dos bombeiros e meios de “rappel” (escalamento). Mas nada foi encontrado e o telefonema foi apelidado de “brincadeira de mau gosto”.

A ponte seria reaberta já de madrugada e nesse dia não faltaram os protestos de centenas de pessoas, pelos prejuízos que disseram ter sofrido devido ao encerramento da ponte. Do tal grupo nunca mais se ouviu falar.