O consumo de eletricidade em Portugal foi totalmente assegurado durante mais de quatro dias seguidos por fontes renováveis, atingindo um “recorde nacional” neste século, anunciou neste domingo a associação ambientalista Zero.

A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, em colaboração com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), analisou os dados da Rede Elétrica Nacional (REN), tendo concluído que na última semana “se atingiu um recorde muito importante neste século”.

Segundo os ambientalistas, o consumo de eletricidade foi “assegurado integralmente” por fontes renováveis, entre as 06:45 do dia 07 de maio e as 17:45 da passada quarta-feira, correspondendo a um total de 107 horas seguidas.

Durante este período, explicam em comunicado, “não foi preciso recorrer a nenhuma fonte de produção de eletricidade não renovável, em particular à produção em centrais térmicas a carvão ou a gás natural”.

A Zero adianta que as fontes de produção de eletricidade renovável e a capacidade de gestão da rede elétrica portuguesa “ultrapassaram uma difícil prova num contexto de diminutas interligações, principalmente entre Espanha e França”, conseguindo que as necessidades do consumo do país tivessem sido asseguradas a 100% a partir de fontes de produção de origem renovável.

Conseguiram ainda exportar uma percentagem significativa de eletricidade, quer de origem exclusivamente renovável, quer complementada nalguns casos por fontes não renováveis.

“Se chuva e vento permitem estes recordes na primavera, torna-se imperioso fomentar e avaliar as mais-valias do aproveitamento da energia do sol e, assim, assegurar que no verão também venhamos a ter contribuições significativas de fontes de energia não emissoras de gases poluentes”, defendem os ambientalistas.

Para a associação, estes dados mostram que “Portugal pode ser mais ambicioso” numa transição para um consumo líquido de energia elétrica 100% renovável, com enormes reduções das emissões de gases com efeito de estufa, causadoras do aquecimento global e consequentes alterações climáticas.

Um maior uso da eletricidade como energia final, tendo por base um incentivo que deve ser dado à mobilidade elétrica (o setor dos transportes é o principal setores responsável pelas emissões portuguesas), é igualmente uma variável fundamental na descarbonização da economia, salienta.