O secretário de Estado do Ambiente está convicto de que Portugal vai acelerar a redução de gases com efeito de estufa, cumprindo o objetivo de 2030, e refere os transportes como o setor onde são exigidas mais mudanças.

"Eu diria, com elevada dose de confiança, que Portugal está a fazer e vai fazer seguramente nos próximos anos um caminho de acelerar aquilo que eram as suas metas e compromissos", disse hoje à agência Lusa o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, comentando a tarefa do país para cumprir os objetivos estipulados.

Com o novo acordo de Paris, conseguido no sábado, depois de duas semanas de negociações entre representantes de 195 países, mais a União Europeia (UE), cada Estado define as suas metas de redução de gases com efeito de estufa, principais responsáveis pelas alterações climáticas, ficando depois vinculado a esse objetivo.

A UE é dos grupos de países mais ambiciosos nas metas e propôs uma redução de 40%, em relação a 1990, enquanto Portugal, integrado na Europa, aponta para 30% a 40% em 2030, na comparação com 2005.

"Estamos muito empenhados nisso e estou seguro de que vamos conseguir chegar a 2030 dentro do que foi o nosso compromisso internacional - o país e os cidadãos estão comprometidos", salientou Carlos Martins.

Questionado acerca das dificuldades que terão de ser enfrentadas, o governante referiu que a área onde "eventualmente a mudança de paradigma e comportamental exige maiores transformações, não só nas políticas", pois estas dependem "em larga medida" de mudanças comportamentais, é a dos transportes e da mobilidade urbana.

"É seguramente uma área que vai colocar um grande desafio ao meu colega secretário de Estado adjunto", com a tutela da mobilidade, defendeu.

Para atingir as metas com que o país já se tinha comprometido, através do programa nacional para as alterações climáticas, o secretário de Estado destacou o setor energético.

E explicou que "a produção de energia elétrica é ainda hoje um consumidor importante de produtos petrolíferos e é natural que a aposta seja nas renováveis para contrariar esta dependência".

Os combustíveis fósseis são apontados como fornecendo os maiores contributos para as emissões de dióxido de carbono.

Para Carlos Martins, a energia eólica "continuará ainda a ter um grande espaço para crescer" e admitiu que esta esteja ligada à hídrica para equilibrar períodos de menos consumo de eletricidade e de pico.

Quanto ao plano nacional de barragens, que tem suscitado enormes críticas das associações ambientalistas portuguesas, como a Quercus ou o GEOTA, o secretário de Estado referiu que "poderá ser reavaliado em um ou outro aspeto".

"É natural que seja objeto de uma reavaliação, mas naturalmente uma parte desse plano deverá prosseguir", especificou.

"Seguramente é do nosso interesse associar estas duas produções de energias renováveis para contrariar a nossa situação de partida", disse ainda Carlos Martins.

Além da eólica e da hídrica, o responsável pelo Ambiente também se referiu a outra energia renovável: a solar que considerou ainda não estar suficientemente explorada em Portugal.

"Tem um elevado potencial, nessa matéria estamos atrás de países com muito menos horas solares e temos um trabalho imenso trabalho para fazer, sobretudo se soubermos associar a um programa de reabilitação urbana onde eventualmente a eficiência energética esteja como ponto central" para aquecimento de água, mas também para aquecimento e arrefecimento de habitações e seu isolamento, explicou.