Notícia atualizada às 16:56


Um elemento da administração do hospital Amadora-Sintra questionou um médico sobre qual o procedimento mais barato entre a amputação e colocação de uma prótese para salvar a perna a um doente, segundo uma denúncia feita à Ordem dos Médicos.

Num encontro com jornalistas esta quinta-feira em Lisboa, o bastonário José Manuel Silva adiantou que a carta que recebeu com esta denúncia já foi enviada para a Inspeção-geral das Atividades em Saúde e para a Provedoria de Justiça.

O médico do hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) entregou uma participação escrita à Ordem na qual relatava que um membro da administração da unidade hospitalar lhe tinha perguntado qual o procedimento que sairia mais barato: amputar uma perna ou colocar uma prótese num determinado doente.

Esta situação foi descrita aos jornalistas no seguimento das preocupações demonstradas pela Ordem em relação ao Amadora-Sintra, nomeadamente sobre o serviço de radiologia.

O bastonário revelou que o hospital ficou sem radiologia de intervenção porque o único médico especialista foi dispensado e acabou por emigrar, tal como revelou a TVI24. Além disso, a Ordem refere ainda que não há radiologista na urgência à noite e que os equipamentos da unidade estão obsoletos. 

Além de ser o único radiologista de intervenção daquele hospital, o clínico que agora emigrou para o Reino Unido fazia cerca de 300 procedimentos por ano e estava a dar formação a um colega, que acabou por ver a sua especialização interrompida.

O bastonário José Manuel Silva recordou que a radiologia de intervenção é essencial no tratamento de doentes com cancro, nomeadamente de tumores com metástases, além de servir também para aplicação de próteses.

Para o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), a situação que se vive no serviço de imagiologia do Amadora-Sintra «configura crime». No seu site, o SIM transcreve a denúncia do médico radiologista de intervenção que, «cansado de remar contra a maré, emigrou para Inglaterra onde o seu trabalho é valorizado, acarinhado e remunerado».

Nessa denúncia, o médico refere que, no serviço de imagiologia/radiologia, «os equipamentos são os mesmos de há quase 15 anos» e «para quase todas as modalidades imagiológicas».

«Existe apenas um aparelho de TC [tomografia computorizada] que apenas tem capacidade de quatro cortes (na atualidade, mesmo hospitais como o de Leiria ou o de Castelo Branco que servem menor número populacional, têm [equipamento com capacidade para] 16 ou 64 cortes», lê-se na missiva do clínico.


Esta situação foi também frisada pelo bastonário, ao afirmar que «a tecnologia de radiologia está completamente obsoleta».