Os utentes da A41, estrada onde o piso aluiu em fevereiro, usaram esta segunda-feira as "buzinadelas" para se manifestarem e reivindicarem melhores acessos, obras céleres e o fim das portagens junto à entrada para a freguesia de Alfena, Valongo.

"Buzine! Não às portagens" - lê-se na faixa que dá as boas-vindas aos automobilistas na rotunda de Alfena em fim de tarde de protesto marcado pela comissão de utentes da A41 que aproveitou para entregar a quem passava um folheto no qual apela "Proteste! Não fique calado!".

O objetivo do buzinão marcado pelo grupo de utentes de Alfena, concelho de Valongo, é alertar para os prejuízos que o "buraco" da A41 está a causar para quem no dia-a-dia precisa de deslocar-se por esta estrada concessionada à Ascendi.

Pedimos a resolução rápida do problema, do buraco. E achamos mal que durante as obras continuem a cobrar portagens. Esta situação prejudica muitos milhares de pessoas e não só de Alfena, mas de todo o concelho de Valongo, da Maia, de Paços de Ferreira e Paredes, entre outros", disse aos jornalistas o porta-voz do grupo de utentes, Nicolau Ferreira.

O protesto começou tímido e com poucas "buzinadelas" mas acabaria por ser engrossado por eleitos de partidos políticos de órgãos locais e do vizinho concelho da Maia, nomeadamente do PCP e do PSD, bem como pelo presidente da câmara de Valongo, o socialista José Manuel Ribeiro.

O autarca explicou estar "solidário" com a iniciativa por considerar "vergonhoso" que a empresa responsável pela A41 aponte "apenas para julho" a conclusão das obras.

Há aqui uma cratera mas mesmo assim pagam-se portagens. Vamos avaliar os impactos dos desvios por estradas municipais e vamos acionar a justiça", referiu José Manuel Ribeiro, reiterando a ideia de, juntamente com a câmara da Maia liderada por Bragança Fernandes, vir a apresentar uma ação judicial para exigir uma indemnização.

O presidente da câmara de Valongo também reiterou que já fez um pedido à Infraestruturas de Portugal para que deixe de ser cobrada portagem neste troço de autoestrada mas lamenta não ter resposta.

Quanto à Ascendi, o autarca apontou que "só após muita insistência" tem conseguido algumas informações, uma ideia partilhada pela comissão de utentes que critica a "falta de informação" e também exige o fim das portagens considerando que Alfena é "prejudicada e discriminada" face a freguesias e concelhos vizinhos como Ermesinde e Maia.

Recorde-se que o aluimento de piso na A41 ocorreu a 13 de fevereiro, cerca das 17:45, situação que provocou o corte de tráfego nessa estrada, entre o nó de Alfena e o nó da A3, no sentido Alfena-Aeroporto.

No início de março, a Ascendi avançou que seriam necessárias 16 semanas para repor as condições normais de circulação, lamentando "profundamente" as "dificuldades" e o "incómodo".

A 11 de março a concessionária decidiu abrir um corredor de passagem exclusivamente a viaturas de emergência, isto oito dias depois do presidente da câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro, ter sugerido a colocação de uma ponte militar na A41, ideia que não foi colocada em prática ao contrário do que aconteceu na Estrada Nacional 111 em Pontes de Maiorca, Figueira da Foz, onde o piso de uma autoestrada, a A14, também aluiu este fim de semana.

Não sei se a situação é igual ou diferente. Explicaram-me que a colocação da ponte choca com a obra mas foi preciso insistir muito para que explicassem alguma coisa", referiu José Manuel Ribeiro quando questionado sobre se encontra paralelismos entre o caso da A41 com o da A14.

Atrasos no dia-a-dia e mais gastos com combustível foram outras das razões do protesto desta tarde de acordo com o porta-voz e grupo de utentes que avançou estar a pensar em novas ações.