A Comissão Parlamentar do Ambiente pede a criação de uma comissão interparlamentar luso-espanhola para analisar a central de Almaraz, por considerar que Portugal “vive uma situação excecionalmente grave”.

Reunidos de emergência nesta quinta-feira, um dia depois de ter sido noticiado que há falhas no sistema de arrefecimento de serviços essenciais da central nuclear de Almaraz, a 100 quilómetros de Portugal, os deputados querem que a questão entre na “agenda política” dos dois países e faça parte de uma próxima cimeira.

“Portugal está sob ameaça nuclear que tem uma base credível”, disse o presidente da Comissão, Pedro Soares, explicando que todas as decisões foram tomadas por unanimidade.

Segundo o deputado do Bloco de Esquerda, em declarações à agência Lusa, a Comissão vai comunicar ao presidente da Assembleia da República que considera necessário contactar-se o Parlamento espanhol, no sentido de criar uma comissão para debater a questão.

Ainda hoje, disse, a Comissão vai enviar uma carta ao ministro do Ambiente e ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, na qual manifesta uma “forte preocupação” pelas notícias sobre Almaraz, sublinha a falta de condições de segurança e as implicações que um acidente pode ter em Portugal, e pede ao Governo que interceda junto do Governo espanhol “para obter esclarecimentos cabais e garantias” de que há medidas para impedir qualquer possibilidade de um acidente.

Os deputados, acrescentou Pedro Soares, querem ainda saber, da parte do Governo português, que meios existem, perante um eventual acidente, para assegurar formas de defesa das populações mas também do ambiente.

“Estamos a ultimar a carta e queremos uma resposta urgente”, salientou, justificando com o período de discussão do Orçamento do Estado que se aproxima.

Na quarta-feira a Agência Portuguesa do Ambiente disse que o Conselho de Segurança Nuclear de Espanha garantiu a Portugal que a central de Almaraz “se encontra em condições de segurança”.

Uma garantia que, disse o presidente da Comissão Parlamentar do Ambiente, não tranquilizou, porque não foi dada uma explicação sobre a notícia que foi divulgada: Inspetores do Conselho de Segurança Nuclear espanhol (CSN) "têm alertado para falhas no sistema de arrefecimento de serviços essenciais da central nuclear de Almaraz", "cinco inspetores consideraram que não há garantias suficientes de que as bombas de água do sistema de serviços essenciais operem com normalidade" (Jornal El País).

“Há uma declaração assinada por cinco técnicos e o Governo não se pronuncia. É muito grave, não nos deixa tranquilos, qualquer pequeno acidente terá consequências dramáticas, na carta pedimos medidas para obter garantias credíveis”, disse.