Com a chegada do Ano Novo, chegam também novas resoluções e promessas. O começo do ano, normalmente é sinónimo de novas metas e rotinas, muitas delas relacionadas com saúde e o bem-estar. Por isso, se querer entrar em 2018 mais saudável, siga os conselhos de especialistas e não ingira alimentos que não saciam e que o vão deixar com fome poucas horas depois. 

Para começar, esqueça os alimentos com alto grau de carbohidratos refinados, como a massa não integral ou o pão branco simples. Paula Lucio, nutricionista do Retiro de Psicologia e Nutrição, em Madrid, explica ao jornal espanhol El País que este tipo de alimentos não fornece qualquer tipo de nutrientes e ainda deixam com mais fome quem os ingere.

Ao ingerirmos este tipo de alimentos, ficamos com um alto nível de glicose no sangue, que caí rapidamente e provoca fome. Nós acabamos a comer mais, porque são alimentos que não nos satisfazem e nem sequer fornecem nenhum tipo de nutriente interessante", refere a nutricionista. 

Outro conselho dado pelos entendidos diz respeito à ingestão de gorduras. De acordo com o médico do Hospital Clínico de Barcelona, Emilio Rosespecialista em Nutrição e Obesidade, as gorduras não são assim tão más como pensamos. A ingestão de gorduras boas - como o azeite ou os frutos secos - é uma ótima aliada das dietas e só traz benefícios.  

Para o tratamento da obesidade deve-se adotar um regime hipocalórico, rico em gorduras, uma vez que as pessoas toleram melhor a dieta e perdem mais peso, do que com um alto teor de hidratos de carbono", diz Emilio Ros, também ao El País.

Comer muito depressa ou muito tarde também não é boa estratégia. Os profissionais de saúde explicam que há duas hormonas que ajudam a regular o apetite: a grelina, também conhecida como "hormona da fome", é segregada no estômago e é a que provoca a sensação de apetite; já a leptina, tem por função fazer com que a pessoa se sinta "cheia" e "satisfeita". 

De acordo com estudos já realizados, os níveis de grelina são maiores antes de comer e demoram cerca de 30 minutos a uma hora para voltar aos níveis normais. Ou seja, se uma pessoa comer muito depressa, não dá oportunidade ao cérebro de perceber que já está satisfeita.  

Por outro lado, comer demasiado tarde também influencia de forma negativa a forma como o organismo processa os alimentos. O fisiologista Juan Antonio Madrid, professor da Universidade de Múrcia e diretor do laboratório de cronobiologia da mesma universidade, sublinhou ao El País que a cronobiologia tem vindo a provar que não é só importante controlar a quantidade e a qualidade daquilo que se ingere, mas também a hora a que se o faz.  

"A hora do dia ou da noite em que nos alimentamos irá influenciar a forma como vamos aproveitar e metabolizar a comida", explica o especialista.

A existência de determinadas regiões no cérebro que reagem de forma diferente quando são expostos a alimentos atraentes ou não atraentes parece dar consistência à expressão popular "os olhos também comem".

Quando temos uma sensação muito agradável ao comer um certo alimento, o nosso cérebro memoriza essa situação e tem tendência a pedir novamente esse tipo de ação, para reaver essa recompensa", declara Pablo Irimia, especialista em Neurologia da Clínica Universitária de Navarra e membro da Sociedade Espanhola de Neurologia. 

 

Desta forma, as refeições com conteúdo  mais calórico ou mais apetitosas do ponto de vista visual, fazem-nos comportar de forma diferente e desejar mais esse alimento, coisa que não acontece quando comemos vegetais ou frutas, por não produzirem uma sensação tão agradável", acrescenta. 

Com o cheiro acontece a mesma coisa, já que são ativados no cérebero os mesmos mecanismos de recompensa ligados ao prazer, ao desejo e à motivação.