O presidente não executivo do grupo Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, defendeu, este sábado, a qualificação dos «representantes» de Portugal, sejam governantes ou funcionários públicos, apelando ao fim da «destruição» da administração pública pelos «aparelhos partidários».

Alexandre Soares dos Santos defendeu também uma revisão da Constituição, que a atualize, mas não disse concretamente que aspetos da Lei Fundamental considera necessário alterar.

O também presidente do conselho de fundadores da Fundação Francisco Manuel dos Santos falava no encerramento do 2.º encontro «Presente no futuro», dedicado ao tema «Portugal europeu, e agora?», no liceu Pedro Nunes, em Lisboa.

«Se o destino de Portugal passa inevitavelmente pela afirmação no espaço europeu, tem de saber fazer representar os seus interesses ao mais alto nível nos vários fóruns da Europa», afirmou.

Nesse sentido, argumentou, «Portugal tem de investir na formação e preparação dos seus representantes, sejam eles governantes, militares, técnicos ou embaixadores».

Para Soares dos Santos, isso passa por «perceber o que é a globalização, e esses representantes «têm de perceber o que é a Europa, têm de perceber que o Mundo de hoje não é, de maneira nenhuma, o Terreiro do Paço».

«Têm de perceber de uma vez por todas que os aparelhos partidários devem acabar imediatamente com a destruição contínua e sistemática da nossa administração pública operada com nomeações políticas e amiguismos», defendeu, sendo interrompido por aplausos.

Segundo Alexandre Soares dos Santos, «Portugal sempre teve bons funcionários públicos, que a política baixa e os interesses políticos rasteiros se foram encarregando de eliminar ou mesmo de destruir».

Na intervenção de encerramento da conferência promovida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, Alexandre Soares dos Santos considerou ainda «fundamental» rever a Constituição.

«Não temos tempo a perder, é fundamental revermos a nossa Lei Fundamental, a Constituição e refletirmos todos, mas todos, com profundidade e seriedade, se a ideia de sociedade que nela se encerra é a que mais nos capacita para assumirmos o nosso lugar no espaço europeu», afirmou.

Questionado sobre os aspetos que devem ser alterados na Lei Fundamental, respondeu: «Adaptar a nossa Constituição aos tempos de hoje, que são completamente diferentes dos tempos de 1976 ou lá quando é que isso foi feito. Nós temos de ter uma atualização permanente.»

«Não me estou a referir aos chumbos [do Tribunal Constitucional]», salientou, acrescentando estar a falar em geral e não querendo especificar as alterações que defende ao texto constitucional.

«Eu não tenho nada a ver com política, o meu discurso foi virado para Portugal, temos de adaptar tudo, como eu disse, reciclar a administração pública - os generais, os embaixadores - e apercebermo-nos que somos cidadãos do mundo.»

Na sua intervenção, Alexandre Soares dos Santos defendeu ainda que é preciso «mais democracia» na Europa, considerando que as instituições europeias são pouco transparentes e que «o Parlamento Europeu não pode continuar a ser uma instituição remota e desconhecida de quase todos».

«Portugal é viável dentro de um projeto europeu forte», considerou.