Um estudo norte-americano conclui que dar leite materno aos recém-nascidos internados nos cuidados intensivos reduz a fatura hospitalar em cerca de 23 mil euros por cada. Os dados da investigação do Rush University Medical Center, em Chicago, vão ser apresentados no IX Simpósio Internacional de Aleitamento Materno, que se realiza em Madrid nos dias 4 e 5 de abril.

O estudo veio mostrar que, ao aumentar a dose média diária de leite materno, entre o 1.º e o 28.º dia de vida do bebé, de 25 para 50 mililitros se reduz a despesa hospitalar com os recém-nascidos de baixo peso internados.

Isto porque se comprovou igualmente que a alimentação precoce com leite materno reduz o risco de o bebé desenvolver sépsis em quase 20%.

Segundo algumas das conclusões, a que a agência Lusa teve acesso, os bebés com sépsis têm de estar internados em unidades de cuidados intensivos, em média, mais 28 dias do que os que não são afetados pela doença.

Além dos recursos financeiros que o tratamento intensivo da sépsis requer, os bebés afetados pela patologia correm maior risco de ter outros problemas de saúde ou de desenvolvimento neuronal.

No estudo, realizado durante cinco anos no Rush University Center, participaram 430 pares de mães e bebés prematuros com muito baixo peso.

Em Portugal, a proporção de bebés que nascem prematuros e com baixo peso tem vindo a aumentar nos últimos anos, sendo que anualmente a percentagem de prematuros ronda os oito a 10%.

Em 2012, nasceram em Portugal mais de 900 crianças consideradas como de muito baixo peso, isto é, com menos de 1.500 gramas.

Outro estudo que será apresentado no Simpósio Internacional sobre Aleitamento Materno foi realizado numa universidade australiana e mostra que o aleitamento materno é mais eficiente entre o primeiro e terceiro mês de vida dos bebés: vai diminuindo progressivamente a quantidade de tomas enquanto aumenta a quantidade de leite ingerida em cada uma.

Já entre o terceiro e o sexto mês de vida, a frequência nas tomas de leite materno e a quantidade de leite que é ingerida mantêm-se constantes.

Segundo os autores do estudo, as conclusões mostram que a variação na frequência das tomas não indica falta de leite, sendo esta uma das razões citadas pelas mães para deixar de amamentar.

Das 52 mães acompanhadas por este estudo australiano, conclui-se que nos três primeiros meses de vida a frequência de tomas diminui de uma média de 7,6 tomas diárias no primeiro mês até 6,6 quando o bebé atinge as 13 semanas de vida.

Já a média de tempo que o bebé destinava a cada toma de leite materno decresce quase 20% ao passar de 36 minutos, nas quatro primeiras semanas, para 29 minutos no terceiro mês.

Os investigadores da Universidade Western Austrália analisaram ainda os intervalos de tempo entre tomas e concluíram que os bebés espaçam os tempos mas aumentam a quantidade de leite ingerido entre uma toma e outra.