A advogada de Pedro Dias garante que o arguido vai falar durante o julgamento, mas não adiantou qual será a estratégia da defesa.

Questionada sobre se Pedro Dias vai alegar inocência, Mónica Quintela não respondeu e explicou que tudo dependerá da “produção de prova que for feita” e daquilo que “a defesa achar adequado”.

Segundo a advogada, a expectativa da defesa “é que se faça luz sobre o que aconteceu naquela fatídica noite”.

“Que se esclareça o que aconteceu e por que aconteceu, e isto é muito importante (…) Que seja feito um julgamento dentro de um Estado de Direito, de um arguido que vai ser submetido a julgamento com todas as regras.”

Pedro Dias chegou ao Tribunal da Guarda por volta das 9:30.

À porta do tribunal, os pais de Liliane Pinto, uma das vítimas, disseram à TVI que esperam que a Justiça seja feita.

“Não há dúvidas nenhumas, ele assassinou a minha filha e o meu genro (…) Eles não tinham nada a ver com ele, nem o conheciam, nunca o viram. Iam na vidinha deles e ele fez aquele serviço. Além dos tiros, ainda lhe desfez a cabeça…”, desabafou a mãe de Liliane.

Pedro Dias, suspeito de ter cometido três homicídios em Aguiar da Beira, em outubro de 2016, e também acusado de múltiplos outros crimes, começa esta sexta-feira a ser julgado no Tribunal da Guarda, que requisitou medidas adicionais de segurança.

Pedro Dias é acusado da prática de três crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada, três crimes de homicídio qualificado sob a forma tentada, três crimes de sequestro, crimes de roubo de automóveis, de armas da GNR e de quantias em dinheiro, bem como de detenção, uso e porte de armas proibidas.

Na altura em que foi marcada esta data para arranque do julgamento, ainda não figurava o crime de homicídio relativo a Liliane Pinto, que faleceu cerca de cinco meses após ter sido alvejada.

A defesa prescindiu então do prazo para abertura de instrução do processo relativo a Liliane Pinto, por forma a conseguir juntá-lo ao processo principal, o que acabou por verificar-se.

O julgamento conta com 76 testemunhas por parte da acusação, informou a advogada do arguido, Mónica Quintela.

Pedro Dias, de 44 anos, esteve fugido um mês após os crimes de Aguiar da Beira, até se ter entregado às autoridades. Tem aguardado o julgamento em prisão preventiva.