O ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, disse hoje que a situação em Moçambique é acompanhada com «cuidado e preocupação», salientando que Portugal mantém com aquele país uma «estreita cooperação técnico-militar» que não será afetada.

«A situação em Moçambique é acompanhada com o cuidado e a preocupação que é inerente a um país com quem temos estreita cooperação técnico-militar», afirmou José Pedro Aguiar-Branco.

O ministro respondia a uma pergunta do deputado do CDS-PP João Gonçalves, no debate do orçamento da Defesa para 2014, que decorreu em sede de especialidade no plenário da Assembleia da República.

Aguiar-Branco disse que a cooperação técnico-militar «não está a ser minimamente afetada» pela situação existente em Moçambique.

«Desejamos que a situação se resolva o mais depressa possível a bem e da tranquilidade e desenvolvimento daquele país e que se possa incrementar, assim haja condições financeiras para futuro, a cooperação que é, em Moçambique e Angola, das mais relevantes que Portugal tem neste âmbito», afirmou.

O Orçamento de Estado para Defesa prevê uma redução de cerca de 8 por cento, para 5,5 milhões de euros.

A República de Moçambique vive a mais grave tensão político-militar desde a assinatura do acordo de paz, em 1992, que acabou com 16 anos de guerra civil.

A 21 de outubro, o exército moçambicano atacou e ocupou a base de Sadjundjira, na Serra da Gorongosa, centro do país, onde se encontrava há um ano Afonso Dhlakama, desde então em parte incerta.

Desde quarta-feira, homens armados, supostamente da Renamo, principal partido da oposição, têm consecutivamente efetuado ataques contra colunas de viaturas e respetivas escoltas militares no troço de estrada Save-Muxúnguè, que já causaram três mortos e dezenas de feridos. A Renamo tem-se distanciado destes ataques.

No domingo, quando os homens armados deram trégua aos ataques no troço, alargaram o raio de ação, tendo metralhado uma viatura de carga na ponte sobre o rio Púnguè, na zona limítrofe entre o distrito de Gorongosa (Sofala) e Gondola (Manica). Também atacaram uma viatura de carga na estrada que liga Maringué à estrada nacional um (N1).