Um recluso agrediu esta quarta-feira de manhã um guarda do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, confirmou à agência Lusa o delegado do Sindicato nacional do Corpo da Guarda Prisional Ivo Garcia.

«Foi durante o período de recreio da manhã, em que um dos reclusos não acatou uma ordem legítima dada por um elemento da guarda prisional, desferindo-lhe um soco na face à falsa fé», afirmou Ivo Garcia, referindo que o guarda teve de se dirigir às urgências do Hospital do Divino Espírito Santo.

As situações de agressões de reclusos a guardas prisionais têm sido recorrentes, segundo o sindicato, que tem alertado para a falta de efetivos na prisão com maior número de reclusos nos Açores.

«Podem estar 20, 30 ou 40 reclusos no recreio, mas, independentemente do número de homens no recreio, regra geral só existe um guarda prisional, no máximo do máximos dois, porque temos um outro guarda prisional que está na torre mas que está afastado para fazer vigilância e só tem contacto visual com os reclusos», esclareceu Ivo Garcia.

O delegado sindical adiantou que se reivindica há dois anos uma cela de separação na prisão de Ponta Delgada para «aplicar castigos mais adequados e que sirvam de exemplo», lembrando que persiste o problema «de falta de infraestruturas adequadas». Há muito é pedido também um novo edifício para o Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada.

«Como nós sabemos, o Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo [ilha Terceira] já foi inaugurado, mas o Estabelecimento Prisional de Angra não é a solução para o Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada [São Miguel] porque os problemas vão continuar a acontecer. Os reclusos vão continuar a entrar de Ponta Delgada porque o maior índice de reclusão está em Ponta Delgada», disse.

Neste momento existem 54 guardas prisionais para cerca de 170 reclusos na prisão de Ponta Delgada.

A agência Lusa tentou obter um esclarecimento junto do Ministério da Justiça. Uma nota enviada pela Direção-geral de Reinserção e Serviços Prisionais refere que a agressão em causa, «decorrente de uma situação inopinada e alheia a qualquer conflito», não provocou «qualquer ferimento no guarda agredido».

Na mesma nota, esclarece-se que «o Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada foi recentemente objeto de colocação de alguns elementos do corpo da Guarda Prisional».

Segundo a direção-geral, a prisão «tem um rácio de um guarda para três reclusos, que é um valor igual ao da média dos países do Conselho da Europa e ligeiramente melhor que a média nacional, que é de um guarda para 3,2 reclusos», como reporta a Lusa.