O Tribunal de Vila do Conde absolveu hoje três polícias acusados de agredirem um grupo de jovens no exterior e interior da esquadra da PSP das Caxinas.

«Sem provas seguras o Tribunal não pode condenar» e os factos apresentados pela acusação «não ficaram provados», justificou a magistrada durante a leitura do acórdão.

Para o tribunal, as agressões «não ficaram provadas» e, além disso, os assistentes «tentaram trazer (à barra judicial) uma versão que nunca espelhou a verdade de tudo o que se passou», apontou ainda a juíza, acrescentando que os depoimentos dos queixosos estavam feridos de «contradições e exageros».

Dois dos polícias estavam acusados, cada um, por um crime de ofensas à integridade física qualificada. Um terceiro agente estava acusado por quatro crimes do mesmo tipo, mas o tribunal sublinhou que «não condena com base em hipóteses» e que não trabalha «com base em adivinhações», revelou ainda o veredicto.

Confrontada com o resultado da sentença, Mavilde Martins, uma das advogadas de acusação, lamentou o desfecho deste processo, considerando que «não foi feita justiça», porque os jovens em causa «foram agredidos violentamente» por polícias que «saíram impunes», por isso, vai recorrer.

Já Carlos Oliveira, que representava um dos arguidos, disse que esperava este desfecho, porque durante o julgamento «não foi produzida prova».

O caso remonta ao dia 26 de junho de 2010, altura em que quatro jovens alegam ter sido agredidos, no exterior e no interior da esquadra da PSP das Caxinas, por agentes de autoridade.

Os polícias negaram os factos em tribunal e explicaram que foram à praça José Régio, em Vila do Conde, uma zona de bares e restaurantes, porque existiam queixas de comerciantes por alegados «desacatos» provocados por alguns indivíduos.

Os agentes acabaram por se envolver com os queixosos, que foram detidos.

Um dos arguidos alegou legítima defesa, explicando que ele e os seus colegas apenas recorreram à força física porque foram, inicialmente, «agredidos» pelos jovens.

Agora, os três agentes, que estavam suspensos de funções na PSP desde o início deste processo regressam, de imediato, ao trabalho.