Está à vista a guerra de números entre enfermeiros e Governo, por causa da greve nacional destes profissionais. Se ontem o sindicato falava numa adesão acima de 80% e o Ministério da Saúde tinha considerado os números «fantasiosos» e que há uma «banalização da greve», esta quinta-feira o presidente do Sindicato dos Enfermeiros diz que a tutela se prepara para levar avante uma mistificação dos dados da greve.

Como? «Quem fez greve e esteve em serviços mínimos não vai contar como estando a fazer greve», disse José Carlos Martins, no discurso que dirigiu aos colegas enfermeiros que hoje se concentraram em protesto junto ao Ministério. O mesmo responsável explicou que os enfermeiros estão em greve, mas serão contabilizados como não tendo aderido, uma vez que são obrigados a registar-se no controlo biométrico (registo de presenças), apenas por estarem a prestar os serviços mínimos acordados.

«O Ministério prepara uma mistificação de dados. Uma mistificação está a ser montada relativamente às greves», reforçou o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, no segundo dia de paralisação que contou com a participação de Arménio Carlos. O líder sindical juntou-se aos enfermeiros para lhes dizer que a tutela «mente e manipula» porque «tem medo» da luta destes profissionais.

Contactado pela agência Lusa, o Ministério da Saúde escusou-se a fazer qualquer comentário sobre o tema.

Sobre os «números fantasiosos» referidos pelo Ministério, o SEP sugere que o ministro Paulo Macedo dê orientações aos organismos do Serviço Nacional de Saúde para divulgarem, nos seus site, os números dos enfermeiros escalados e os que aderiram, por turno, à greve.

A greve nacional de dois dias, que termina hoje, tem como objetivos lutar pela contratação de mais enfermeiros, pelas 35 horas semanais de trabalho, pela progressão na carreira e a reposição do valor das horas suplementares e noturnas.