Adelino Briote, o homem que matou quatro pessoas à facada em S. Veríssimo, Barcelos, em março deste ano, foi encontrado morto no Estabelecimento Prisional de Monsanto, para onde tinha sido transferido em setembro.

De acordo com a Lusa, o "Monstro de Barcelos", como ficou conhecido, "suicidou-se" na segunda-feira, no Estabelecimento Prisional de Monsanto, “onde se encontrava colocado desde 11 de setembro e onde mantinha o acompanhamento médico psiquiátrico e de integração no Programa de Prevenção Suicídio de que vinha a ser objeto desde a entrada no sistema prisional”.

O recluso foi encontrado na sua cela individual pelos elementos da vigilância que alertaram a PSP e acionaram o INEM, que veio a confirmar o óbito. Inicialmente, Adelino Briote esteve detido no Estabelecimento Prisional de Braga, mas foi entretanto transferido para Monsanto.

O homem, de 63 anos, estava acusado de quatro crimes de homicídio qualificado e um de aborto.

No dia 24 de março, uma sexta-feira, Adelino Briote matou à facada quatro pessoas, uma delas grávida de sete meses: Marisa Cardoso, de 37 anos, grávida da segunda filha, o casal António Vale e Glória Rodrigues, de 84 e 80 anos respetivamente, e ainda Sameiro Fernandes, de 62 anos.

Quando a GNR e os bombeiros chegaram ao local, encontraram um corpo caído na rua e o casal morto no quintal da habitação.

O crime tomou proporções ainda mais chocantes depois de Briote dizer aos meios de socorro, no local, que havia uma quarta vítima, Marisa, grávida, assassinada em casa.

Adelino Briote, que recebia tratamento psiquiátrico desde 2012, mas que terá deixado de tomar a medicação, já tinha sido condenado há dois anos por violência doméstica. Atacou com um ferro a ex-sogra e a filha, também ela grávida.

Os crimes terão sido cometidos precisamente porque as vítimas não quiseram ser suas testemunhas no processo de divórcio e também não o quiseram defender na altura em que estava acusado de violência doméstica.

Serviços Prisionais abrem inquérito

A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) anunciou esta quarta-feira que determinou a abertura de um processo de inquérito na sequência da morte, no Estabelecimento Prisional de Monsanto, do recluso suspeito de um quádruplo homicídio em Barcelos.

“Como decorre do legalmente previsto, foram imediatamente feitas as comunicações oficiais às autoridades competentes, tendo o corpo sido removido para o Instituto Nacional de Medicina Legal para efeitos de autópsia. Foi igualmente determinada a abertura de um processo de inquérito a cargo do Serviço de Auditoria e Inspeção desta Direção Geral”, refere uma nota da DGRSP enviada à Lusa.