O acidente no Rali Sprint, em Guimarães, que provocou foi o terceiro acidente grave, este ano, só em provas de Rali Sprint.

A história dos acidentes em provas de rali, em Portugal, é antiga e marcada por vários incidentes trágicos. A falta de segurança e a proximidade do público contribuíram, em muitos casos, para o número de vítimas a lamentar.

Um dos mais graves acidentes de sempre remonta a 1986. Nesse ano, a edição do Rali de Portugal, em Sintra, ficou marcada pelos piores motivos.



Na Lagoa Azul, um acidente que envolveu o piloto Joaquim Santos provocou dois mortos e dezenas de feridos. O elevado número de espectadores no local e a falta de segurança estiveram na origem do elevado número de feridos.

Estima-se que perto de meio milhão de pessoas estariam distribuídas ao longo de pouco mais de duas dezenas de quilómetros.

O incidente e a falta de segurança acabaram por ditar o fim do troço nas belas paisagens da serra de Sintra.

Um troço que também ficou conhecido pelo elevado número de acidentes, nas provas do Rali de Portugal, foi o mítico troço de Montejunto.



Poucos quilómetros depois do seu início, numa zona ligeiramente a descer, os pilotos encontravam uma curva à esquerda que foi popularmente batizada de «esquerda da morte», devido ao elevado número de acidentes que aí aconteciam.



Com a encosta repleta de milhares de espectadores, eram vários os carros que se despistavam para uma ribanceira com alguma profundidade.



Mais recentemente, em 2009, um acidente no mesmo cenário da Rampa da Penha, em Guimarães, provocou seis feridos, um com gravidade.

O piloto Martim Ferreira, de 17 anos, que conduzia um Seat Ibiza, despistou-se quanto tentava melhorar o tempo no circuito. Com um grande aparato, o automóvel atingiu cinco espectadores.



Em 2012, no Rali de Santo Tirso uma viatura embateu contra uma paragem de autocarro onde se encontravam algumas pessoas, abrigadas da chuva. Apesar do perigo da situação, não houve vítimas a lamentar.



No mês passado, o piloto Nuno Silva, que participava num Rali Sprint em Cabeceiras de Basto, morreu depois de o veículo que conduzia se ter despistado e ter incendiado. O co-piloto também ficou ferido no acidente, mas com menor gravidade.

Já em junho, no Rali Montelongo, em Fafe, os dois ocupantes de um veículo em competição ficaram gravemente feridos depois do despiste do veículo.

Mas se nos dois primeiros acidentes do ano não houve registo de vítimas entre o público, o caso de Guimarães reacende a discussão sobre a segurança em provas desta natureza.

Muitos são os que apontam deficiências e facilitismos nas competições de Rali Sprint que, além de poderem colocar em risco a segurança dos pilotos, poderão ameaçar a segurança do público.

«Em 2013, em alguns Ralis Sprint, foram permitidos carros sem os elementares órgãos de segurança, portanto, viaturas sem roll bar, cintos de quatro apoios, etc.. Por outro lado, poucas devem ter sido as provas que tiveram um responsável da FPAK [Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting] no local, o que significa que mesmo que a prova tivesse sido aprovada, depois não houve ninguém a verificar se ela correspondia aos pressupostos apresentados no papel», declarou o presidente da ACOR (Associação de Clubes Organizadores de Ralis), Nuno Jorge ao portal «Autosport».