«O carro não estava em condições de circular. Se [o acidente] não acontecesse com o meu filho, posteriormente teria acontecido com mais alguém».

Filomena Angélico falava à saída do tribunal de Aveiro, onde começou o julgamento cível em que os pais de um amigo do cantor pedem à mãe deste 236 mil euros de indemnização, devido ao acidente que matou os dois jovens. Além da mãe de Angélico, a ação cível envolve o Fundo de Garantia Automóvel (FGA) e o stand Impocar, de onde saiu a viatura.

Perante a juíza, Filomena Angélico reafirmou que o seu filho não comprou a viatura BMW que estava a conduzir naquele dia, ao contrário do que sustenta o stand Impocar. «O BMW foi meramente emprestado», disse, adiantando ter falado na noite do acidente com o filho, que lhe terá contado que ia trocar de viatura, porque queria um carro «mais arejado», para ir ao lançamento de uma música na praia.

A mãe do cantor referiu ainda que o filho tinha um acordo com o dono do stand Impocar, que lhe emprestava carros topo de gama, a troco de publicidade. «Ele chegava lá, escolhia e levava», explicou, admitindo que o filho «gostava mesmo de carros».

O dono do stand também devia ter sido ouvido na parte da manhã, mas o advogado do Fundo de Garantia Automóvel, que tinha requerido o depoimento, prescindiu de ouvir o empresário.

A propriedade da viatura foi uma das questões dominantes no início do julgamento, tendo ainda sido ouvida uma especialista do Laboratório Cientifico da Polícia Judiciária que realizou o exame pericial à assinatura alegadamente feita por Angélico na proposta de compra e venda do referido BMW.

A especialista revelou que a assinatura do cantor que se encontra no documento é falsa e foi feita por «tentativa de imitação».

Ainda na parte da manhã, a juíza ouviu o músico Hugo Pinto, um dos dois sobreviventes do acidente, que disse que iam tranquilos a conversar, quando ocorreu o despiste. «Aconteceu tudo muito rápido. Sentimos um estrondo na parte de trás do carro e entrámos logo em despiste», recordou a testemunha, adiantando que Angélico ainda tentou controlar o carro, que «estava a fugir por todos os lados».

Hugo Pinto, que seguia no lugar de pendura, não conseguiu identificar a causa do despiste, mas assegurou que não circulavam a grande velocidade.

Angélico Vieira morreu no Hospital de Santo António, no Porto, dias após o acidente que ocorreu na A1, em Estarreja, pelas 03:15 do dia 25 de junho de 2011, provocando também a morte do passageiro Hélio Filipe e ferimentos nos ocupantes Armanda Leite e Hugo Pinto.

As autoridades concluíram que a viatura se despistou na sequência do rebentamento de um pneu, na altura em que o veículo seguia a uma velocidade entre 206,81 e 237,30 quilómetros horários e realçam que Angélico, assim como o outro passageiro da frente, seguiam com cinto de segurança.