A derrocada de uma parte «considerável» das barreiras de Santarém deixou quatro pessoas desalojadas e levou ao corte da Estrada Nacional 114, entre Santarém e Almeirim, disse à Lusa a vice-presidente da Câmara Municipal, Susana Pita Soares.

«Houve uma derrocada de parte considerável das barreiras de Santarém por volta das três da manhã. Felizmente não há vítimas, mas ficaram desalojadas quatro pessoas (dois casais), que puderam sair pelo próprio pé, sem que tenha havido danos nas casas», disse a presidente da câmara em exercício.

O deslizamento de terras, que teve início «mesmo na crista da encosta», ocorreu desde as traseiras do Teatro Rosa Damasceno até à estrada nacional, que está cortada ao trânsito nos dois sentidos, junto à Travessa do Bom Jesus das Almas, explicou.

Susana Pita Soares especificou que o deslizamento se deu ao longo de cerca de cem metros e que terá uma largura de 50 metros.

«Uma das casas atingidas ficou parcialmente obstruída, aparentemente apenas no logradouro, mas não houve abatimento do telhado e ao que tudo indica não há danos materiais», acrescentou a responsável.

Além destas, foram atingidas outras duas casas que já estavam desabitadas, por ação da Câmara, na sequência de um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) alertando para o perigo que corriam.

Susana Pita Soares lamentou que esta situação se arraste há cerca de dez anos, e que os «sucessivos Governos nada façam», apesar dos sistemáticos alertas dados pela autarquia e pelo LNEC.

«A situação é grave, como sempre dissemos, temos lançado alertas, temos dado eco ao Governo das nossas preocupações, mas a intervenção não tem acontecido. Há necessidade que se resolva», disse a responsável sublinhando ter sido uma sorte a derrocada ter acontecido de madrugada, altura em que não ia ninguém a passar, porque se fosse durante o dia, «poderia ter sido bem mais grave».

Susana Pita Soares lembrou mesmo que o secretário de Estado Sérgio Monteiro acompanhou os técnicos do LNEC numa visita ao local «e pôde verificar na altura» a gravidade da situação.

Além da presidente em exercício, encontram-se no local o vereador Luis Farinha e um técnico da Câmara, que aguardam a chegada do engenheiro do LNEC que fará a peritagem e a avaliação técnica.

«Só então saberemos o que está em causa e o que pode ser feito para pôr em segurança a população», afirmou.