O Juízo de Instrução Criminal (JIC) de Águeda decidiu não levar a julgamento os quatro condutores envolvidos num dos dois acidentes ocorridos em agosto de 2010 na A25, na zona de Talhadas, Sever do Vouga, que causaram seis mortos.

O juiz de instrução decidiu proferir despacho de não-pronúncia, por entender que se os arguidos fossem a julgamento «seria mais provável a absolvição do que a sua condenação», considerando que não se mostrou suficientemente indiciado que estes tenham atuado com negligência.

«Nas indicadas circunstâncias em que ocorreu o acidente não seria razoavelmente de esperar ou de exigir dos arguidos conduta diversa daquela que nos autos se demonstrou terem adotado», lê-se na decisão instrutória, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

No documento, o juiz lembra ainda que os arguidos «circulavam numa autoestrada em condições de denso nevoeiro que reduzia a visibilidade a escassos metros, piso molhado, com as faixas de rodagem já bloqueadas com mais de vinte veículos previamente acidentados, não se tendo demonstrado que circulassem acima dos limites de velocidade legalmente impostos».

A abertura de instrução tinha sido pedida por um arguido que conduzia um veículo ligeiro de passageiros onde seguia também a sua mulher, que morreu no acidente, e pelo condutor de outro veículo, que se constituiu assistente no processo.

Os quatro arguidos, três homens e uma mulher, com idades entre os 35 e os 67 anos, estiveram envolvidos no primeiro acidente que ocorreu no sentido Aveiro-Viseu, e estavam acusados de um crime de homicídio por negligência agravado pelo resultado.

O acidente ocorreu a 23 de agosto de 2010, pouco antes das 16:00, numa altura em que a visibilidade era reduzida, devido ao nevoeiro intenso e chuva.

O Ministério Público concluiu que os embates ocorreram como consequência da "falta de atenção e cuidado" por parte dos arguidos na condução, tendo em conta as más condições atmosféricas e o pavimento molhado.

Quanto ao segundo acidente, que ocorreu no sentido Viseu-Aveiro, poucos minutos depois e a poucas centenas de metros de distância do primeiro, foi deduzida acusação contra o condutor de um pesado de mercadorias, de 31 anos.

O condutor está acusado de três crimes de homicídio por negligência e quatro crimes de ofensa à integridade física por negligência e deverá ser julgado por um tribunal coletivo no próximo ano.

As duas colisões em cadeia que ocorreram em cada um dos sentidos da A25, junto ao nó de Talhadas, envolvendo mais de meia centena de veículos, resultaram na morte de seis pessoas, incluindo uma criança de oito anos, e provocaram ainda 63 feridos.