O Tribunal de Aveiro condenou esta sexta-feira a três anos e meio de prisão, com pena suspensa, um homem acusado de ter abusado sexualmente da neta, de 13 anos, durante vários meses.

O coletivo de juízes deu como provado que o arguido, de 68 anos, em data não concretamente apurada do ano de 2013, passou a abordar a menor, que vivia na sua residência em Anadia, para praticar atos sexuais com a mesma.

Os abusos ocorreram até ao início de 2014, em número de vezes não inferior a dez, em algumas situações no interior da residência e noutras no interior do automóvel, quando levava a menor para os ensaios numa banda filarmónica.

Em tribunal ficou ainda provado que o arguido mantinha conversas de cariz sexual com a menor, através da rede social Facebook, marcando encontros e propondo-lhe relações sexuais de cópula completa, facto que só não logrou concretizar, por a menor ter sempre declinado.

O sexagenário foi condenado a um cúmulo jurídico de três anos e meio de prisão, suspensos por igual período, por dois crimes de abuso sexual de criança agravado, um dos quais na forma tentada.

Além da pena de prisão, a juíza presidente referiu que o arguido terá de entregar 1.500 euros a uma instituição de apoio à infância na área da sua residência, "para que sinta a censura e a necessidade de refletir sobre esta conduta", cita a Lusa.

O indivíduo declarou-se inocente, após a leitura do acórdão, afirmando: "É tudo mentira, nunca me aproximei da minha neta".


Na acusação, o Ministério Público diz que o arguido "tinha perfeita consciência da idade da menor, com apenas 13 anos, agindo indiferente à sua idade e ao facto de ser sua neta, aproveitando-se da estreita relação que mantinha com a mesma para levar a cabo o seu propósito".

O caso foi denunciado à Polícia Judiciária por um namorado da jovem, que foi constituído arguido por suspeita de abuso sexual de crianças, depois de ter sido surpreendido pelos avós quando estava na cama com a menor.

Durante uma entrevista na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Anadia, a menor confirmou que o avô já tinha tentado abusar dela.

A partir dessa altura, a menor foi viver com os avós paternos em Coimbra, por sentença proferida pelo Tribunal de Família e Menores de Oliveira do Bairro.