Por: tvi24 / MM | 10- 2- 2012 11: 50
O bispo do Porto, Manuel Clemente, considerou, esta sexta-feira, que a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) em hospitais
públicos «foi convertida em método contracetivo», deixando o problema humano por resolver.
Entrevistado pela Lusa
cinco anos após o referendo que abriu as portas ao aborto até às dez semanas, a pedido da mulher, o prelado considerou que
a lei de 2007 se limitou a responder à questão de se saber «se as pessoas que fazem aborto devem ou não ser punidas, em que
circunstâncias e até onde». Mas o «acerto de discussão naquilo que realmente está em causa» continua por fazer, enfatizou.
À
espera de resposta continua, conforme explicou, «a consideração geral, e também legal, que a vida deve ter» à luz dos conhecimentos
científicos actuais. «A vida é um processo que, desde a concepção à morte natural, tem um seguimento único e progressivo.
Se não assentarmos nesta base, depois tudo o resto está falseado», observou.
Referindo-se ao resultado prático da
lei de há cinco anos, o bispo do Porto considerou que, no fundo, «acabou por se tornar o aborto, em estabelecimentos públicos
e financiamento por nós todos, como um método anticonceptivo».
É algo que «está profundamente errado porque, mais
uma vez, não se ponderou devidamente o respeito pela vida e o respeito que ela nos deve a todos», assinalou Manuel Clemente.
Citando
testemunhos que ouviu, o bispo do Porto lamentou o desrespeito, em muitas circunstâncias, da norma legal que obriga a mulher
que quer abortar a ir a uma consulta médica, no prazo de cinco dias, depois de solicitada a IVG. «A ponderação, segundo oiço
de vários testemunhos de pessoas no sistema de saúde, não se faz devidamente. Imediatamente se passa para uma pseudo-solução
técnica e fica o problema humano por resolver», criticou.
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