A Confederação Nacional das Associações de Família (CNAF) diz não compreender a redução em mais de 60 mil abonos de família no mês de outubro, defendendo que a política deveria ser a de estimular a natalidade.

Dados do Instituto da Segurança Social, atualizados a 01 de novembro, mostram que em outubro de 2013, 1.146.398 crianças receberam o abono de família, menos 60.499 do que em setembro.

Em declarações à agência Lusa, por escrito, a presidente da CNAF aponta que a atual situação do país se caracteriza pelo desemprego elevado entre os mais jovens, pelo «forte impacto» da crise e das dificuldades económicas na natalidade, registando-se menos 90 mil nascimentos em 2012.

«Não se compreende que exista um retrocesso social na atribuição e quantificação dos abonos de família, quando precisamente existe a necessidade indiscutível do fomento da natalidade, pela necessária renovação geracional e pela sustentação do sistema de segurança social e do sistema nacional de saúde a médio e longo prazo», apontou Maria Teresa da Costa Macedo em declarações à Lusa.

A dirigente da CNAF questiona como é que sem gerações futuras vai ser possível assegurar a identidade nacional e como é que será garantida a «dignidade das condições de vida dos mais idosos sem trabalhadores jovens».

«O nosso povo é muito sábio quando diz 'casa assaltada, trancas à porta', fruto da anterior imprudência do dono da casa. No caso dos nossos decisores, parecem menos prudentes, dado que se tarda em tomar medidas que evitem a rutura social e humanitária no país», considera Teresa Macedo.

Na estatística da Segurança Social, os dados mais antigos são referentes a janeiro de 2005, altura em que havia 1.584.853 crianças a receber esta prestação social.

Contas feitas, entre janeiro de 2005 e outubro de 2013 há menos 438.455 crianças (-27,6%) a receber abono de família, sendo o mês de outubro aquele que registou o número mais baixo de sempre.