A Comissão de Utentes da A23 entregou hoje uma carta aberta ao ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, na qual se reivindica a abolição das portagens naquela via.

Esperamos que haja uma resposta do ministro [Pedro Marques] e do Governo. Ficamos a aguardar por essa resposta e esperamos que vá ao encontro daquilo que o primeiro-ministro, António Costa, disse durante a campanha eleitoral, que era necessário uma reavaliação das portagens", disse o membro da Comissão de Utentes da A23 Marco Gabriel.

A autoestrada da Beira Interior (A23) atravessa os distritos da Guarda, Castelo Branco, Santarém e Portalegre, e permite a ligação entre Torres Novas e a Guarda.

Este responsável disse ainda que a comissão de utentes quer dar um novo impulso à luta contra as portagens na A23 e adiantou que, consoante a resposta governamental à carta aberta, assim serão programadas novas ações de luta.

A introdução de portagens na A23 veio destruir por completo a capacidade competitiva e produtiva das micro, pequenas e médias empresas do interior, principalmente das regiões fronteiriças, aumentando irremediavelmente os custos de vida de populações e empresas, e levando a falências, despedimentos e desemprego", lê-se no documento entre ao ministro Pedro Marques.

A comissão sublinha que a introdução de portagens "carece de racionalidade económica" e argumenta que a receita das portagens "é inferior aos enormes prejuízos causados às economias regionais".

As portagens nas Scut [vias sem custo para o utilizador] são um erro económico que prejudica gravemente a economia, retira poder de compra ao povo e asfixia a situação financeira das empresas, provocando a falência de muitas e consequentemente aumenta o desemprego", argumentam.

Por último, o documento refere que o desvio do trânsito rodoviário para as estradas nacionais e zonas rurais, causado pela introdução de portagens, "teve consequências trágicas nos domínios ambiental, de qualidade de vida e de sinistralidade rodoviária".