A Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda (ASPIG) “lamenta profundamente” a morte do militar da GNR baleado na Quinta do Conde, em Sesimbra, apontando que é resultado da falta de meios, tanto humanos, como de veículos ou coletes antibalísticos.

Em comunicado, a ASPIG manifesta “profundo pesar e consternação relativamente ao trágico episódio” e estende as condolências à família do agente da PSP e do filho, igualmente mortos.

O militar da GNR morto pertencia ao comando de Setúbal e tinha 25 anos. Foi baleado quando socorria as outras duas vítimas.

“A ASPIG lamenta que os patrulheiros da GNR continuem a deslocar-se às ocorrências, para que são diariamente solicitados, 'de peito aberto', sofrendo na pele os efeitos da falta de efetivos humanos, de viaturas e coletes antibalísticos, que afetam gravemente o funcionamento dos Postos Territoriais e as condições de segurança dos militares que neles prestam serviço”, refere a associação.


A ASPIG salienta que o número de efetivos dos postos territoriais tem vindo a ser “reiteradamente reduzido”, enquanto os recursos humanos são “canalizados quer para outras valências da GNR, quer para funções de caráter administrativo”.

Por último, a associação lembra que foi no decorrer da atual legislatura que “tudo” foi retirado aos militares da GNR, “inclusivamente o horário de trabalho de referência da corporação que estava previsto na proposta de Estatuto que o Governo tinha acordado com as associações socioprofissionais”.

Pedem, por isso, à ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, e aos demais membros do Governo para não comparecerem ao funeral do militar, sustentando este pedido com o último texto escrito pelo militar na sua página de Facebook, em que dizia estar cansado e a precisar de férias.

As três vítimas foram alegadamente mortas por um homem de 77 anos, o qual, perante a intervenção da Guarda, terá acabado “por tentar o suicídio, com um tiro de caçadeira”, ficando ferido e sendo detido e transportado para o Hospital de Setúbal.

Para além do militar da GNR, morreu um agente da PSP, que estava fora de serviço nesse dia, bem como o seu filho, um jovem de 23 anos, que ainda chegou com vida ao hospital.

A GNR foi alertada para o tiroteio, numa rua na Quinta do Conde, por volta das 17:00, tendo mobilizado várias patrulhas para o local e é precisamente quando tentam auxiliar o jovem ferido que o militar da GNR é abatido a tiro, sem que o alegado autor do tiroteio fosse visível na zona, com os disparos a serem feitos do interior de uma residência.