O Prémio Miguel Portas, que distingue causas humanistas e civilizacionais, foi este sábado atribuído a projetos em Viseu, contra a discriminação de imigrantes no interior, na Mouraria, em Lisboa, com guias migrantes, e no Seixal, para integração de jovens ciganas.

A Associação Cultural Miguel Portas, constituída em 2014 por familiares e amigos do político falecido em 2012, instituiu o Prémio Miguel Portas, para "celebrar o seu legado material e imaterial e premiar iniciativas, atividades, obras ou projetos de âmbito cultural, social, artístico ou político que contribuíssem para causas humanistas e civilizacionais" ideais constantes na sua atividade profissional e na intervenção cívica e política.

Os três vencedores do Prémio, com apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian, foram hoje anunciados em Lisboa, e integram-se no tema da edição deste ano - "Entre Pontes e Margens - Migrações".

Promovido pela Associação para o Desenvolvimento Rural de Lafões, o projeto "MUNDIFICAR - Para a Integração de imigrantes na região de Viseu" foi escolhido "pelo modo como trabalha contra a discriminação dos imigrantes numa zona do interior", ao lançar um desafio de abertura ao mundo e de interculturalidade e trabalhar, de forma integrada, com uma diversidade de estruturas e instituições, explica a organização.

Um dos resultados do trabalho foi a criação de uma associação de Imigrantes, outra foi a publicação de um livro de poesia de uma jovem imigrante russa.

As comunidades locais também foram abrangidas, tanto a população como as instituições, e foi promovido o interculturalismo, numa aposta para "combater o preconceito ainda dominante" e contra a discriminação.

O "Mygrantour – Percursos Interculturais Urbanos", da Associação Renovar a Mouraria, foi igualmente contemplado com o Prémio Miguel Portas, pela proposta apresentada numa zona da cidade de Lisboa com 51 nacionalidades, de realizar Percursos Interculturais Urbanos com guias migrantes.

Com base na nova diversidade de um bairro histórico, realizaram-se ações de formação com crianças e jovens em idade escolar, num esforço de educação intercultural, para as migrações serem encaradas como algo "natural, rico e positivo para qualquer sociedade", refere a organização do Prémio.

Este projeto, com parceria internacional com as Organizações Não Governamentais (ONG) ACRA e Oxfam-Itália e o Instituto Marquês de Valle Flôr, em Portugal, abrangeu Lisboa, Turim, Roma, Milão, Florença, Bolonha, Paris, Marselha e Valência, e foi financiado pela União Europeia.

A Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade entre Mulheres e Homens, com a proposta "EmPoderar – do sonho à ação", foi igualmente premiada pelo trabalho desenvolvido numa "comunidade substancialmente não integrada, os ciganos", com jovens mulheres, "objeto de múltiplos níveis de discriminação e exclusão", explica a organização.

Numa parceria entre uma associação de jovens mulheres e uma de mulheres ciganas, procura encurtar a distância entre instituições públicas e comunidades ciganas, apostando no diálogo intercultural.

O empoderamento das jovens mulheres ciganas, que no projeto têm entre 18 e 33 anos e são do Seixal, é uma condição essencial para a sua integração no sistema económico formal e a sua empregabilidade é uma ferramenta para a independência económica.