Onze casos de infeção por 'legionella' foram já diagnosticados com ligação ao surto no hospital CUF Descobertas, em Lisboa, informou hoje à tarde a Direção-geral da Saúde (DGS).

Os dois novos casos são duas mulheres com 53 e 68 anos e estão estáveis, revelou o hospital em comunicado.

“O Hospital está a funcionar regularmente e em segurança, tendo implementado, em articulação com as autoridades de saúde, todas as medidas protocoladas, nomeadamente choques térmicos e químicos, em toda a instalação, para eliminar a origem de um eventual foco de transmissão”, afirma também a direção da instituição no documento.

São agora 11 os doentes, oito mulheres e três homens, sendo que dois deles se encontram internados em cuidados intensivos.

Em comunicado, a DGS reitera que as autoridades de saúde, em articulação com o Conselho de Administração do hospital CUF Descobertas e em colaboração com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, mantêm a “necessária intervenção junto do hospital” para assegurar o diagnóstico e tratamento dos doentes, o reforço da vigilância epidemiológica e ambiental e a aplicação das medidas necessárias para interromper a transmissão.

O hospital CUF Descobertas, em Lisboa, está já a contactar todos os doentes que estiveram internados entre os dias 6 e 26 deste mês para despistar eventuais casos.

Bloco pede audição urgente da DGS

O Bloco de Esquerda (BE) pediu, esta terça-feira, a audição “com caráter de urgência”, no parlamento, da Direção-Geral de Saúde (DGS) sobre o surto de ‘legionella’ no hospital da CUF Descobertas, em Lisboa.

“O Bloco de Esquerda considera que devem ser dadas todas as explicações sobre esta situação”, lê-se no requerimento em que é pedido para a direção-geral ser ouvida na comissão parlamentar de saúde.

O BE quer igualmente saber se a contaminação “foi facilitada por problemas estruturais na rede de águas ou nos sistemas de refrigeração” e “como melhorar a prevenção e o controlo bacteriológico das redes de água e sistemas de refrigeração”.

Para a bancada bloquista, é também necessário “perceber que acompanhamento as entidades competentes fazem para garantir o cumprimento por parte dos hospitais privados das regras, normas e procedimentos para prevenir e evitar estas situações”.

Cristas defende que há um problema de fiscalização

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu que os casos de 'legionella' na CUF Descobertas mostram que "alguma coisa não está bem na fiscalização".

"É sinal de que alguma coisa não está bem na fiscalização, é sinal de que alguma coisa não está bem no trabalho que vem sendo feito por parte também das entidades públicas que devem fazer esta fiscalização", defendeu Assunção Cristas.

No encerramento das jornadas parlamentares do CDS, em Setúbal, a presidente do partido considerou que neste caso, "não é um problema de leis": "Aqui é um problema de as fazer aplicar e de verificar a sua aplicação".

A bactéria “Legionella pneumophila” é responsável pela doença dos legionários, uma forma de pneumonia grave que se inicia habitualmente com tosse seca, febre, arrepios, dor de cabeça, dores musculares e dificuldade respiratória, podendo também surgir dor abdominal e diarreia. A incubação da doença tem um período de cinco a seis dias depois da infeção, podendo ir até dez dias.