O Governo deverá aprovar na próxima reunião do Conselho de Ministros o modelo de reconstrução das habitações permanentes atingidas pelos incêndios que deflagraram em 15 de outubro, anunciou este sábado, em Coimbra, o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão.

Vamos trabalhar para ter tudo pronto a tempo do Conselho de Ministros [de quinta-feira]", disse Nelson de Souza no final de uma reunião de trabalho com quase seis dezenas de autarcas dos concelhos do norte e centro do país afetados pelos incêndios de outubro, em que esteve acompanhado pelo secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel.

Durante a reunião à porta fechada, os governantes recolheram a opinião dos autarcas sobre a maneira "mais célere e eficiente" de reparar ou reconstruir mais de 800 casas de primeira habitação atingidas pelas chamas.

O "consenso", segundo Nelson Souza, aponta para que as habitações sejam divididas em dois escalões, consoante o grau de gravidade dos estragos.

No caso de o estrago não ser muito grande caberá aos proprietários avançar com as reparações, que serão comparticipadas pelo Estado através de verbas do Orçamento do Estado.

Em situações de perda total, a reconstrução das habitações será feita através dos municípios, que deverão agrupar-se de forma a ganharem escala (para obter melhores preços na aquisição de materiais, por exemplo).

Sobretudo neste caso, está reservado um papel importante para as Comissões de Coordenação Regional, que serão o principal interlocutor dos municípios.

Nelson Souza disse acreditar que será possível colocar em funcionamento no espaço de três semanas a contar dos incêndios um modelo capaz de responder às necessidades das pessoas que tiveram as suas casas atingidas pelas chamas.

As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta foi a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 vítimas mortais e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.