Cerca de 30 professores e formadores do Instituto de Educação e Desenvolvimento (INED) ficaram esta sexta-feira desempregados com o fecho daquela escola da Maia, estando sem previsão para receber os salários em atraso, disse uma das docentes.

Em declarações à Lusa, a professora Isabel Fernandes Moreira explicou que “não houve vontade” de continuar e, por isso, os atuais proprietários do INED “inviabilizaram o projeto”.

Os professores da instituição, que se encontram sem receber os salários desde fevereiro, recusaram no dia 4 dar início a mais um ano letivo.

Veja também: Pais protestam por escola ainda não ter iniciado ano letivo na Maia

Face à tomada de posição dos professores, a PROJEDE (cooperativa de ensino com quem os professores têm contratos assinados), apresentou duas propostas, nomeadamente, aplicar um Plano Especial de Revitalização (PER) ou insolvência.

Apresentadas as propostas, os professores ponderaram arrancar com as aulas se até ao passado dia 8 os pagamentos em atraso fossem efetuados pela PROJEDE.

Nesse mesmo dia, surgiu “um investidor interessado” e, apesar dos professores “terem ficado convencidos que o negócio estava fechado” e que as aulas começariam, tal não aconteceu.

Os cerca de 180 alunos que frequentavam a escola vão ser colocados em escolas nas proximidades, tendo-lhes sido assegurada a continuidade do plano de estudos.

Isabel Fernandes Moreira lamenta que uma “instituição com provas dadas na área de ensino” encerre a sua atividade, pois não há “cursos com a mesma oferta” educativa nas proximidades.

Em declarações aos jornalistas, o diretor do INED, João Sousa, explicou que, para se perceber o sucedido, é necessário recuar até janeiro de 2011, quando o Estado decidiu “mudar a forma de financiamento a algumas escolas, que são as que tinham oferta próprias nos seus cursos”.

Para evitar males maiores e, tendo em conta que o ano letivo já estava a decorrer, a escola aceitou o financiamento, mas mostrou discordância junto das entidades legais.

Desde então não houve alterações nos financiamentos e, por isso, a escola funcionou com o modelo de financiamento imposto enquanto teve “capacidade e meios próprios” para suprimir as dificuldades.

“Com estes atrasos (…) as dificuldades financeiras foram aumentando e enquanto nós tivemos capacidade pessoal para as manter, fomos mantendo a escola em funcionamentos”, disse, em declarações difundidas pela SIC.

Professores, pais e alunos concentraram-se, na manhã desta sexta-feira junto à escola, num protesto.