Dois motoristas da Uber e uma passageira foram agredidos no Porto, esta sexta-feira.

Pedro Sardinha contou à TVI que foi buscar clientes australianos que seguiam para a zona da Batalha.

Quando estava a chegar ao hotel para onde iam os turistas foi atingido com um ovo. Decidiu não parar aí, mas mais à frente, onde acabou por deixar os clientes. Só que aí, viu três homens que o começaram a perseguir. Chegaram a agredi-lo na cara.

Acertaram-me na testa, no olho e na mão", explicou.

Pedro fugiu do local e acabou por refugiar-se num hotel.

Márcia Neves, motorista da Uber desde dezembro, também se queixa de ter sido agredida esta sexta-feira, quando deixava uma passageira na estação de Campanhã.

Atiraram-me pedras, partiram-me o vidro do carro", conta.

A funcionária da Uber garante que esta não é a primeira vez que tem uma situação destas com taxistas, mas assegura que vai continuar na empresa.

Não andamos seguros, temos algum receio, mas eu gosto do trabalho e da empresa em si e penso continuar", afirma.

Há ainda uma cliente da Uber que diz ter sido “apedrejada por taxistas” depois de, cerca das 16:00, ter saído da viatura e quando se dirigia para a estação de camionetas da Batalha, avança a Lusa.

Fui apanhada no meio das pedras e dos taxistas que corriam atrás do motorista da Uber”, contou à Lusa Ana Pereira.

Os taxistas estão em protesto esta sexta-feira contra a Uber. Lisboa, Porto e Faro foram palco de marchas lentas que congestionaram as cidades durante esta sexta-feira. Ainda não há números oficiais, mas, só em Lisboa, a ANTRAL esperava 4.000 táxis.

Taxis vs Uber: o filme dos acontecimentos

Mais de quatro horas de marcha lenta em Lisboa

Em Lisboa, foram mais de quatro horas de marcha lenta pela cidade até à Assembleia da República. Partiram às 09:30 do Campus de Justiça, no Parque das Nações, onde antes do início da marcha o ambiente esteve calmo, apesar do forte dispositivo policial.

A marcha lenta passou pelo aeroporto, Rotunda do Relógio, Avenida Almirante Gago Coutinho, Avenida Estados Unidos da América, Entrecampos, Avenida da República, Avenida Fontes Pereira de Melo, Avenida da Liberdade, Rossio, Rua do Ouro, Câmara de Lisboa, Avenida 24 de julho e Rua D. Carlos I até chegar à Assembleia da República.

Os taxistas começaram a concentrar-se às 13:45 em frente à escadaria principal da Assembleia da República, que está vedada por um gradeamento, encontrando-se dezenas de polícias nas escadas.

Na Assembleia da República, os trabalhadores foram ouvidos pela Comissão de Economia. Os dirigentes das associações de táxis que se reuniram esta tarde com o presidente da comissão ameaçaram, no final do encontro, não abandonar os protestos junto ao parlamento até serem recebidos por um membro do Governo.

Antes de chegarem à Assembleia da República, os dirigentes das associações representativas dos taxistas reuniram com o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, com quem ficaram satisfeitos uma vez que este, dizem, se mostrou “completamente solidário” com a luta destes profissionais de transporte.

Protestos no Porto e em Faro

No Porto, várias centenas de taxistas deram início à marcha lenta pelas 09:30 na praça Gonçalves Zarco, no Porto, saindo da marginal do Porto, passando pela zona da Ribeira, seguindo depois até aos Aliados, junto à Câmara do Porto, onde os taxistas foram recebidos pelo presidente da Câmara, Rui Moreira.

O presidente Rui Moreira recebeu os representantes locais das duas associações que organizaram o protesto à porta de entrada da Câmara Municipal do Porto e acenou aos taxistas recebendo um forte aplauso.

Já em Faro, cerca de 120 táxis concentraram-se  junto ao Estádio do Algarve, tendo iniciado às 09:05 uma marcha lenta, até à câmara de Faro, de protesto contra a Uber e outros meios de transporte ilegais.