Foram identificados mais dois casos de legionella no Hospital CUF, elevando para seis o número de casos neste grupo. A notícia foi avançada à TVI24 pela diretora-geral da saúde, Graça Freitas.

A responsável adiantou que os dois novos casos referem-se a uma mulher e a um homem que estão internados em hospitais do mesmo grupo. 

Os infetados são, assim, cinco mulheres e um homem e encontram-se estáveis. Trata-se de três doentes, uma acompanhante (que dormiu e tomou banho na unidade de saúde privada) e duas funcionárias, todos com idades entre os 47 e os 65 anos.

A DGS recorda que as autoridades de saúde pública, em conjunto com a administração do hospital privado, já implementaram medidas para interromper a transmissão e reforçaram a vigilância ambiental e epidemiológica.

Apenas um dos seis casos confirmados é de um doente que apresenta várias patologias, não sendo os restantes “nem muito idosos nem muito frágeis”, indicou Graça Freitas.

Segundo a diretora-geral, os chuveiros são a fonte mais provável do surto, ou as torneiras, embora estas sejam “menos prováveis”.

Este surto de legionella deverá ter uma menor dimensão do que o que atingiu o Hospital São Francisco Xavier, a confirmar-se que a fonte foi os chuveiros, estimou Graça Freitas, que adiantou que todos os duches da CUF Descobertas estão encerrados por precaução.

A diretora-geral admitiu aos jornalistas que um surto de legionella com origem em chuveiros tem menor dimensão do que um com origem em torres de refrigeração, como o que aconteceu no São Francisco Xavier. Isto porque as torres de refrigeração têm uma maior capacidade de disseminar partículas infetadas que podem ser inaladas por um maior número de pessoas.

Os primeiros quatro casos de legionella neste hospital foram detetados na madrugada de domingo.

Cuf Descobertas está a contactar 800 doentes

O hospital CUF Descobertas, em Lisboa, está a contactar todos os doentes que estiveram internados entre os dias 06 e 26, para despistar eventuais casos de “legionella”.

Depois de terem sido detetados seis casos, já foram contactadas 160 das 800 pessoas que estiveram no internamento no referido período, tendo duas dessas pessoas sido aconselhadas a ir ao hospital, por poderem ter “alguns sintomas”, disse o diretor clínico adjunto da instituição, Paulo Gomes.

Em conferência de imprensa o responsável deu conta que continuam internadas seis pessoas, as quatro detetadas no sábado, que “estão a evoluir bem” e as duas detetadas já no domingo, que têm “um quadro de pneumonia, mas sem sinal de gravidade” e que estão “estáveis”.

Paulo Gomes disse que os novos dois casos não surpreendem as autoridades do hospital, “bem como outros casos que possam vir a aparecer”, mas disse que o hospital, porque está a passar por um período de “hipervigilância”, com ajustes na desinfeção, é agora muito seguro para doentes e trabalhadores.

Mais de 230 casos em 2017

Portugal registou no ano passado 233 casos de infeção por legionella, sendo 174 casos isolados e 59 do surto do hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

Os dados oficiais, embora ainda provisórios, foram revelados ests segunda-feira pela diretora-geral da Saúde numa conferência de imprensa destinada a fazer o ponto da situação do surto de ‘legionella’ detetado no sábado no hospital privado CUF Descobertas, em Lisboa

De acordo com Graça Freitas, o surto ocorrido em novembro no hospital São Francisco Xavier provocou 59 infetados e cinco mortos.

Anteriormente, o balanço apontava para seis vítimas mortais, mas concluiu-se que um dos infetados que acabou por morrer teve outra causa de morte que não a da infeção por legionella, da qual acabou por se curar.

Sobre o segundo surto de ‘legionella’ conhecido em dois meses, a diretora-geral da Saúde lembrou que atualmente há “maior capacidade de detetar” a doença, fazendo parecer que há mais surtos.

“A capacidade de detetar a doença é muito maior”, declarou Graça Freitas, lembrando que atualmente é possível fazer um diagnóstico com um teste rápido à urina.

A bactéria legionella é responsável pela doença dos legionários, uma forma de pneumonia grave que se inicia habitualmente com tosse seca, febre, arrepios, dor de cabeça, dores musculares e dificuldade respiratória, podendo também surgir dor abdominal e diarreia. A incubação da doença tem um período de cinco a seis dias depois da infeção, podendo ir até dez dias.

A infeção pode ser contraída por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada. Apesar de grave, a infeção tem tratamento efetivo.