A adesão dos enfermeiros à greve desta terça-feira  situa-se entre os 77 e os 78%, nos hospitais nos turnos da noite e da manhã.

O balanço da adesão à greve pela reposição das 35 horas semanais foi feito pelo presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, José Carlos Martins, aos jornalistas no hospital de S. José, em Lisboa.

Os dados disponibilizados pelo sindicato dizem respeito apenas à paralisação dos enfermeiros dos hospitais, uma vez que não estão disponíveis ainda os referentes aos centros de saúde.

“Estes dados, que poderão elevar-se, confirmam a enorme insatisfação dos enfermeiros com as 40 horas de trabalho, que os levou a trabalhar 30 a 40 dias a mais por ano, eliminando tempos de repouso imprescindíveis à qualidade dos cuidados ao cidadão”, afirmou José Carlos Martins.


O SEP pretende que as 35 horas se “apliquem no mais curto espaço de tempo” e apela ainda ao recrutamento de enfermeiros nalguns hospitais, que já foi reconhecido como necessário pelo próprio ministro da Saúde.

“Os projetos de lei estão na Assembleia da República e não dão integralmente resposta a estas questões. Temos solicitado reunião ao Ministério da Saúde e até ontem [quinta-feira] não tinha sido marcada. O senhor ministro marcou-a, cinco horas do início greve, para 16 de fevereiro”, disse José Carlos Martins.

O dirigente sindical vincou que os enfermeiros são os trabalhadores da administração pública com mais volume de profissionais a trabalhar por turnos (cerca de 25 mil). Com a imposição das 40 horas de trabalho semanais, cerca de 3.000 enfermeiros deixaram de fazer turnos.

Ao início da manhã o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses já tinha avançado que a greve teve uma adesão na ordem dos 77% durante o turno da noite, tendo ultrapassado os 90% na zona de Lisboa.

“Ainda estamos a recolher os dados referentes ao turno da manhã, que teve início às 08:00. Quanto ao turno da noite, teve uma adesão de 77%, sendo que temos hospitais como São José e Santa Marta, em Lisboa, com adesão acima dos 90%”, disse à Lusa Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).


De acordo com Guadalupe Simões, a greve registou no turno da noite (começou às 00:00 e terminou às 08:00) uma adesão de 100% no Hospital de Elvas e de 64,5% no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, concelho de Oeiras.

“No hospital de Portalegre, a adesão foi de 93,1%, no de Castelo Branco de 80,6%, nos de Póvoa de Varzim e de Vila do Conde de 85,7%, no de Portimão 84%, Faro 72%, Figueira da Foz 89,5%, nas Caldas da Rainha 76,9%, Setúbal 76,2%, Garcia de Horta, em Almada, 86,2% e em todos os hospitais dos Açores acima dos 80%”, declarou.

Os enfermeiros vão estar hoje em greve pela reposição das 35 horas de trabalho semanais a todos estes profissionais, independentemente do seu vínculo laboral.

A greve da função pública, marcada para hoje pela Federação Nacional da Função Pública (Fesap), abrange também todos os trabalhadores não docentes das escolas, mesmo os funcionários que já trabalham 35 horas por semana.

Em declarações hoje à Lusa, Guadalupe Simões disse que os níveis de adesão no turno da noite “mostram que os enfermeiros consideram as 35 horas uma matéria importante e prioritária, que desejam ver resolvida”.

“Estamos a exigir que as 35 horas se apliquem a todos os enfermeiros, independentemente do vínculo, e essa é de facto a razão para esta adesão à greve no turno da noite de 77%”, salientou.

O SEP reafirmou que a manutenção desta greve estava única e exclusivamente dependente da reunião com o Ministério da Saúde e de compromissos que fossem entretanto assumidos.

Segundo o sindicato, entre as saídas e entradas de enfermeiros, o aumento do absentismo pela degradação das condições de trabalho, o número de horas a mais que estão ser exigidas aos enfermeiros, sem que sejam pagas, são fatores que têm obrigatoriamente que ser analisadas com a tutela.

A 11 de janeiro deste ano, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas, anunciou uma greve da administração central para hoje, no sentido de pressionar o Governo a repor o horário de trabalho semanal de 35 horas na administração pública o mais depressa possível e não apenas no segundo semestre do ano.