O homicida de Alexandra Neno e Diogo Ferreira foi condenado, esta sexta-feira, pelo Tribunal de Loures, a 25 anos de prisão. Os crimes remontam a 2008.

A pena máxima foi aplicada por cúmulo jurídico, já que Paulo Jorge Almeida foi condenado a 18 anos pela morte de Alexandra Neno e a 19 pela morte de Diogo Ferreira. As indemnizações por danos ultrapassam os 300 mil euros.

A irmã de Alexandra, Cristina Neno, afirmou à entrada do tribunal que esperava que houvesse «uma pena entre os 20 e os 25 anos». 

Paulo Jorge Almeida, hoje com 36 anos, entregou-se voluntariamente às autoridades em novembro de 2013 para confessar os crimes, estando em prisão preventiva desde então.



O arguido terá matado Alexandra Neno no estacionamento junto ao condomínio onde a mulher vivia, na urbanização Real Forte, em Sacavém, concelho de Loures, no dia 29 de fevereiro de 2008. Será também o presumível autor da morte do jovem Diogo Ferreira, no parque de estacionamento de um centro comercial de Oeiras, já na madrugada de 01 de março.

O coletivo de juízes, presidido por Pedro Nunes, condenou o arguido a 18 e 19 anos de prisão, respetivamente, pelos homicídios de Alexandra Neno e Diogo Ferreira, e determinou uma pena de seis anos de prisão pela tentativa de homicídio qualificado, por disparar sobre um automobilista na zona das Amoreiras, em Lisboa.

Além disso, o homem foi ainda condenado a um ano e oito meses, um ano e três meses e dois anos de prisão, pelos crimes de roubo, furto e detenção de arma proibida.

Somando as condenações, daria uma pena de 47 anos e 11 meses de prisão, tendo o tribunal aplicado, em cúmulo jurídico, a pena única de 25 anos de prisão, a pena máxima prevista na lei penal portuguesa.

Além disso, Paulo Jorge Almeida vai ter de pagar mais de 332.000 euros de indemnizações cíveis: cerca de 142.000 euros a dividir pelos herdeiros de Alexandra Neno (viúvo, irmã e mãe), 170.000 euros à família de Diogo Ferreira e 20.000 euros ao amigo deste que se encontrava com a vítima no parque de estacionamento, em Oeiras.

«Não existem razões para ter feito o que fez. Nem uma possível patologia psicológica ou psiquiátrica, nem uma fobia social ou uma leve depressão justificam os atos de extrema violência que praticou», justificou o presidente do coletivo de juízes no final da leitura do acórdão, depois de perguntar ao arguido se tinha percebido a decisão.


À saída do tribunal, os advogados e familiares das vítimas consideraram «que se fez justiça», acrescentando que o coletivo de juízes «foi muito correto» no julgamento deste processo.

«Saio muito satisfeita pela sentença. Não porque desejo mal a alguém, mas porque alguém com esta instabilidade e agressividade não pode andar por aí», afirmou aos jornalistas Cristina Neno, irmã de Alexandra Neno.

Emília Ferreira, mãe de Diogo Ferreira disse estar «aliviada» com este acórdão, acrescentando que a justiça, neste caso, «funcionou». Por sua vez, Fernando Seara, advogado do marido de Alexandra Neno, comentou que com esta sentença  «foi feita justiça» . 

Tomás Batarda, advogado do arguido, classificou de «exagerada» a pena aplicada ao seu cliente, razão pela qual vai recorrer para o Tribunal da Relação de Lisboa.

Aos jornalistas, este advogado assumiu que vai continuar a seguir a estratégia da imputabilidade reduzida do seu constituinte que, segundo o próprio, «é um bom moço», mas que no dia dos factos «passou-se», justificando estes atos com problemas do foro psicológico.

Por decisão do tribunal, Paulo Jorge Almeida vai continuar em prisão preventiva, encontrando-se atualmente no Estabelecimento Prisional de Lisboa.