O Santuário de Fátima anunciou esta sexta-feira o adiamento da visita de uma das imagens peregrinas da Virgem de Fátima a Damasco, na Síria, que estava prevista para setembro, na sequência do agravamento da situação na capital do país.

Numa nota à imprensa, a reitoria do santuário refere ter recebido uma comunicação do Patriarca Gregorios III, de Damasco, Síria, informando que, “por se terem agravado muito as condições em Damasco, não considera oportuno realizar-se a visita antes solicitada da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima àquela diocese”.

Na mesma comunicação, o patriarca pede que “a visita seja adiada para uma data posterior, mais favorável”.

A 12 de agosto, na conferência de imprensa que antecedeu o início da peregrinação dos migrantes ao Santuário de Fátima, no distrito de Santarém, o reitor anunciou que uma das imagens peregrinas da Virgem de Fátima iria visitar Damasco entre os dias 07 e 09 de setembro.

Na ocasião, o padre Carlos Cabecinhas explicou tratar-se de um “pedido do patriarca Melquita Greco-Católico de Antioquia e de todo o Oriente, de Alexandria e de Jerusalém”, Gregório III, que solicitou a visita da imagem peregrina ao país “martirizado por um conflito que dura há mais de quatro anos”.

O reitor acrescentou que o patriarca pediu também para que não se esqueça os cristãos sírios na oração, “conforme os repetidos apelos do papa Francisco”.

Mais de 230.618 pessoas, 69.494 das quais civis, morreram desde o início do conflito na Síria, em meados de março de 2011, segundo o balanço divulgado a 09 de junho pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Em abril, numa audição na Assembleia da República, a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) anunciou que os cristãos são atualmente o grupo religioso que sofre mais perseguições por causa da fé.

Catarina Bettencourt, em nome da AIS, revelou então que o número de cristãos na Síria passou de 1,75 milhões, em 2011, para "pouco menos" de 1,2 milhões, no verão de 2014, "um declínio de mais de 30% em apenas três anos".

Em agosto, o papa Francisco denunciou a perseguição “atroz, desumana e inexplicável” que sofrem atualmente os cristãos e as minorias em algumas partes do mundo, e exortou a comunidade internacional a intervir face a esta situação.