O Acordo ortográfico não está em causa em nenhum dos países lusófonos, garantiu esta terça-feira a diretora- executiva do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), lembrando que cada país tem ritmos e recursos diferentes.

"Em nenhum dos países está em causa o acordo ortográfico. O que é diferente é o processo, as estratégicas e os tempos que se prevê para a implementação plena das novas regras", esclareceu Marisa Mendonça, que falava aos jornalistas, na Cidade da Praia, no âmbito da X Reunião Ordinária do Conselho Científico do IILP.

Segundo a diretora do IILP, em Portugal e no Brasil a implementação é "praticamente plena", apesar de ainda haver uma discussão que compete às autoridades desses países dirigirem.

Cabo Verde, lembrou, está no processo de implementação, em Moçambique o documento já passou no Conselho de Ministros e aguarda homologação pela Assembleia da República, enquanto em Angola está em fase de discussão.

"Os países têm ritmos diferentes, têm direito a ter ritmos diferentes, também porque têm recursos diferentes", considerou Marisa Mendonça, indicando que as comissões nacionais das línguas e o IILP estarão à frente do processo e apoiarão naquilo que for preciso, sem interferir nos assuntos nacionais dos Estados.

Em relação à reunião do Conselho Científico do IILP, a responsável referiu que estão a ser discutidos vários assuntos, como a nova visão para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a missão e vida do instituto e as suas realizações, como o plano de atividades e orçamento para 2016.

As comissões nacionais dos nove Estados-membros da CPLP estão ainda a preparar a 3.ª conferência internacional sobre o português no sistema mundial, que deverá acontecer em maio do próximo ano em Timor-Leste, país que assume neste momento a presidência rotativa da CPLP.

A reunião do Conselho Científico do IILP conta, pela primeira vez, com um representante da Guiné Equatorial, que aderiu plenamente à CPLP em julho do ano passado, o embaixador residente em Lisboa.

"Isto torna a missão da Guiné Equatorial muito mais forte", salientou Marisa Mendonça, informando que quarta-feira o país vai fazer uma apresentação do relatório sobre o estágio de desenvolvimento das suas atividades e implementação da língua portuguesa no país.

Quanto ao financiamento do organismo, Marisa Mendonça disse que o IILP vive "num sufoco financeiro bastante grande", uma vez que os países nem sempre estão em condições de pagar as suas quotas a tempo.

Sem revelar os valores da dívida, a responsável disse que as reuniões dos conselhos científicos são momentos para criar novas sensibilizações aos representantes dos Estados da CPLP e que a situação se vai reverter "rapidamente".

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A Guiné-Bissau foi o único país ausente da reunião que termina na quarta-feira.