As pessoas com arritmia cardíaca denominada fibrilhação auricular têm cinco vezes mais probabilidade de sofrer um Acidente Vascular Cerebral fatal ou com sequelas graves, mas existe medicação que pode prevenir a maioria desses acidentes, disse um especialista.

Victor Gil, professor da Faculdade e Medicina de Lisboa e coordenador da unidade cardiovascular do hospital dos Lusíadas, disse à agência Lusa que estes novos medicamentos «abrem uma nova esperança» no tratamento dos doentes com fibrilhação auricular, doença na origem de 20 por cento do total de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), uma das principais causas de morte em Portugal.

No dia em que arranca no Algarve o 9.º Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global, Victor Gil explicou à Lusa que todos os «doentes hipertensos têm que manter a sua pressão arterial controlada ao longo da vida», mas alertou que há «2,5 por cento da população portuguesa» com fibrilhação auricular e que essa arritmia afeta «mais de 10 por cento da população com mais de 80 anos».

«Muitos dos AVC têm que ver com antecedentes de tensão arterial, mas há também um grupo muito importante de AVC associado ao aparecimento de uma arritmia, que é a fibrilhação auricular. Cerca de 20 por cento ou mais dos AVC devem-se a essa arritmia e são geralmente evitáveis pelo uso adequado de medicamentos que dificultam a coagulação do sangue», cita a Lusa.

Estas pessoas, disse, «têm um risco de AVC cinco vezes superior ao da população normal», mas «a maior parte deles são possíveis de evitar» com a administração dos «chamados anticoagulantes».

«Essa terapêutica anticoagulante, até há uns anos atrás, era extremamente difícil de fazer, porque os medicamentos que existiam eram influenciados por muitos outros medicamentos, até por alimentos, e o controlo era inadequado na maior parte dos doentes», contrapôs o especialista.

Victor Gil sublinhou que já «surgiram medicamentos mais modernos», mais fáceis de utilizar e que permitem no universo desses doentes «evitar 70 por cento dos AVC», que são, advertiu, «uma das principais causas de morte em Portugal e fazem 200 vítimas fatais por 100 mil habitantes por ano».

“Nesses doentes com a fibrilhação auricular, as consequências do AVC ainda são piores, porque geralmente os AVC nestes doentes têm origem num coágulo de sangue que se forma dentro do coração, coágulo que é grande e que vai ocluir uma extensa zona do cérebro. Têm o dobro da mortalidade e um grau de incapacidade também muito maior que os outros”, acrescentou.

Victor Gil recordou ainda que «o AVC é uma das principais causas de morte em Portugal, com cerca de 200 mortes por 100 mil habitantes por ano e cerca de 25 mil doentes internados por ano» devido às suas consequências graves, que provocam «incapacidade de alto grau em mais de 50 por cento dos casos».