O Tribunal da Relação de Évora confirmou o arquivamento o processo sobre a morte de seis jovens universitários na praia do Meco, revelaram, esta terça-feira, à Lusa, familiares das vítimas que prometem recorrer para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

"Vamos recorrer para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem", disse à Lusa António Soares, pai da jovem Ana Catarina Soares, que integrava o grupo de jovens que terão sido arrastados para o mar por uma onda, de acordo com a versão do antigo "dux" da Universidade Lusófona de Lisboa, João Gouveia, único sobrevivente da tragédia e único arguido no processo.


"O processo começou mal desde o início. Acreditamos que havia muita gente interessada neste desfecho, mas isto é passar um atestado de estupidez às pessoas, porque ninguém acredita que os seis jovens tivessem sido arrastados por uma onda", corroborou Fernanda Cristóvão, mãe de Ana Catarina Soares, assegurando que não vai desistir de lutar para provar que aquilo que aconteceu na praia do Meco não foi um simples acidente.

Em março de 2015, o Tribunal de Setúbal tinha mandado arquivar o caso por considerar que não tinham sido carreados para os autos factos novos que permitissem indiciar o `dux´ da Universidade Lusófona de Lisboa da prática de qualquer crime.

"Estes jovens (que morreram na praia do Meco) estavam lá porque queriam, porque gostavam, em torno de uma causa", disse, na altura, o juiz de instrução, argumentos que, segundo os familiares da Ana Catarina Soares, também terão sido considerados pelo Tribunal da Relação de Évora para justificar o arquivamento

Além do recurso para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, os familiares dos seis jovens também já avançaram com ações de responsabilidade civil - uma por cada um dos alunos que morreram - contra o João Gouveia e contra a Universidade Lusófona.