A Procuradoria-Geral da República (PGR) divulgou esta terça-feira, em comunicado, a lista dos mortos de Pedrógão Grande, confirmando a existência de 64 vítimas mortais, o número oficial que o Governo já tinha anunciado. A lista de mortos resultantes da tragédia estava em segredo de justiça, mas foi exigida ao Executivo pela direita, depois de uma empresária ter alegado que tinha uma lista com 73 vítimas mortais

"Confirma-se, pois, a existência, até ao momento, de 64 vítimas mortais, cuja identidade se considera poder, agora, ser publicitada com segurança e sem perturbação da investigação", destaca o Ministério Público no comunicado.

No comunicado, a PGR informa que ouviu a empresária que tem vindo a alegar que a tragédia provocou 73 vítimas mortais, tendo concluído que nessa lista há "imprecisões quanto à identificação das pessoas", "bem como repetição de nomes em, pelo menos, seis situações".

"Conclui-se, assim, existir coincidência entre os nomes das vítimas mortais já identificadas no inquérito e os constantes da lista publicitada pela testemunha, com exceção de Alzira Carvalho da Costa e de José Rosa Tomás", refere a PGR.

O texto indica que a morte de Alzira Carvalho da Costa, que morreu atropelada quando fugia ao incêndio, "está a ser investigada no âmbito de outro inquérito, iniciado logo que noticiado o acidente de viação ocorrido". Uma informação que o Ministério Público já tinha confirmado na segunda-feira. 

"Quanto a José Rosa Tomás, cuja causa de morte, até ao momento, não está sinalizada como diretamente relacionada com o incêndio, o Ministério Público não deixará de recolher elementos com vista a definir todas as circunstâncias em que a mesma ocorreu", lê-se ainda no texto.

 

Leia o comunicado na íntegra:

Nota Comunicação Social - Incêndios Pedrógão Grande by TVI24 on Scribd

 

Marcelo evitou comentar lista

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, evitou comentar esta divulgação, por uma questão de respeito pela autonomia da Ministério Público.

"Eu respeito a autonomia do Ministério Público", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, em direto para as televisões, durante uma visita ao posto de comando da proteção civil em Mação, onde o Presidente chegou cerca das 21:30.

Questionado pelos jornalistas sobre se a divulgação da lista é uma forma de por fim à polémica, que envolve a oposição de direita, Marcelo respondeu: "Não comento. Como sabe, o Presidente da República respeita a autonomia do Ministério Público, que decide conduzir os seus inquéritos de forma autónoma. O Presidente, a última coisa que pode, é imiscuir-se no trabalho da justiça".

"Há uma preocupação de respeitar e essa é uma diferença do Estado democrático" para as ditaduras", concluiu Rebelo de Sousa.