A Câmara do Porto divulgou esta quinta-feira que vai realojar mais de 300 moradores de torres ainda por demolir no Bairro do Aleixo, graças à entrada de um novo parceiro no fundo imobiliário criado para o efeito.

O Fundo do Aleixo (Invesurb) estava em risco de liquidação por estar no limite do capital máximo admitido (cinco milhões de euros), o que limitava o processo de construção de novas habitações, mas ganhou agora nova fôlego com a entrada da construtora Mota Engil.

“Depois de mais de dois anos de impasse, com o Fundo do Aleixo (Invesurb) em risco de liquidação e sem dinheiro para construir as casas que se comprometeu a dar à Câmara do Porto como contrapartida, está finalmente encontrada uma solução com o grupo Mota Engil a tornar-se parceiro e a investir cerca de dois milhões de euros, em capital”, lê-se numa nota publicada no portal de notícias autárquico "Porto.".


Esta solução para o Bairro do Aleixo, onde foram demolidas duas das cinco torres, será levada à próxima reunião de câmara, a realizar na terça-feira.

A injeção de capital pela Mota Engil no Fundo do Aleixo é “suficiente” para que o negócio, suspenso desde abril de 2014, seja executado, dando prioridade à construção de habitação social para realojar as pessoas que ainda habitam as torres que não foram demolidas.

“Só depois o fundo completará a demolição [das restantes torres] e poderá construir o seu empreendimento que, contudo, será adequado ao Plano Diretor Municipal (PDM), perdendo dimensão”, enfatiza a nota camarária.

A Câmara do Porto, até agora com 30% do capital, diminui a sua participação para 22%, readquirindo terrenos com um “elevado potencial” de valorização.

“Com esta solução, a Câmara do Porto, que tinha entrado no negócio com terrenos, readquire património, através da compra de quatro parcelas contíguas, o que lhes permitirá adquirir capacidade construtiva e, logo, valorizar o ativo”, frisa a nota.

A Câmara do Porto e o Inversurb fizeram um acordo em 2011 para a destruição do Bairro do Aleixo, mas depois da demolição de duas das torres o fundo entrou em incumprimento com a autarquia por falta de liquidez.

“Caso não tivesse sido encontrada uma solução nesta altura, o Invesurb seria dissolvido, provocando elevados prejuízos e novo impasse na resolução do problema social do Aleixo”, adianta o município à Lusa. 

O processo de demolição do Bairro do Aleixo, iniciado durante o mandato do anterior executivo liderado pelo social-democrata Rui Rio, está suspenso há cerca de dois anos, apesar da demolição, em 2011 e 2013, de duas das cinco torres do bairro situado na zona de Lordelo do Ouro.